O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Erikson Camargo Chandoha, prevê possibilidade de ampliar o comércio bilateral entre Paraná e China, que não seja exclusivamente a exportação de soja. Chandoha acredita que o Estado reúne as condições para diversificar a pauta de exportações do Paraná para aquele país para outros produtos da agricultura, pecuária e florestas.

Em palestra realizada no pavilhão do Brasil na Expo Shanghai 2010, Chandoha abordou as potencialidades de produção agropecuária do Estado, demonstrando que o Paraná tem como ampliar o leque de produtos importados pela China. Chandoha identificou a possibilidade de incluir os produtos de origem animal.

A palestra teve como convidados empresários da Câmara Brasil China, do Consulado do Brasil em Shangai e do Pavilhão do Brasil na Expo Shanghai 2010. A viagem foi realizada na segunda quinzena de julho, e Chandoha estava acompanhado dos engenheiros agrônomos Luiz Roberto de Souza, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, e Filipe Braga Fahrat, do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA).

Shanghai, que fica na província de Zhejiang e que tem relações com o Paraná há mais de 20 anos, é a porta de entrada de mercadorias e negócios oriundos de outros países. Chandoha disse que estava lá para fortalecer os laços de cooperação frente aos desafios globais, conforme disse o presidente chinês, Hu Jintao, quando visitou o presidente Lula no início deste ano, em Brasília.

Agricultura

Além da visita e palestra na Expo Shanghai 2010, a missão governamental do Paraná visitou a Universidade Agrícola e a Academia de Agricultura da província de Zhejiang, iniciativa que abriu as portas para profissionais e técnicos do Paraná atuarem em conjunto com técnicos daquela província. O intercâmbio internacional e cooperação de pesquisadores e professores devem ser concentrados nas áreas de agricultura, pecuária e florestas.

A região é produtora de grãos, cogumelos, fios de seda, frutas em geral que são áreas de interesse para as duas regiões. Segundo Chandoha, professores e pesquisadores paranaenses podem apresentar suas propostas de atuação conjunta para apreciação na Secretaria Estadual da Agricultura.

Na região de Anji, ainda na província de Zhejiang, a missão governamental visitou uma indústria de produção de placas de bambu para pisos e revestimentos exportados para a Europa. Chandoha destacou que a planta pode ser produzida no Paraná, mas ainda é vista como produto de segunda classe. Ele explicou que, com tecnologia, é possível produzir um bambu tão ou mais resistente que a madeira que pode ser aplicado em diversos segmentos, desde a construção civil até em estruturas de limpeza de rios e riachos.

Em Beijing, a comitiva paranaense foi recebida pelo embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney, que falou sobre acordo firmado entre os dois países, que reduz a burocracia e facilita o acesso ao comércio bilateral.

Palestra

O secretário disse que a diferença de clima entre os dois países propicia a exportação de produtos paranaenses em período que cai a produção agropecuária na China. “O mercado chinês é enorme e a produção local não é suficiente”, avaliou Chandoha. Em relação ao Paraná, o secretário destacou o desenvolvimento sustentável, com ênfase à produção ecologicamente correta, economicamente viável e socialmente justa praticada no Estado. Ele citou as empresas exportadoras de produtos do agronegócio para a China, sediadas no Estado, como a Coamo, Alcopar, Sadia e Imcopa.

A Agricultura Familiar foi motivo de coincidência de interesses, uma vez que boa parte da produção chinesa de alimentos também se dá em propriedades de pequeno porte. “Houve uma sintonia entre as realidades paranense e chinesa”, comentou o secretário.

Temas como biocombustíveis e bionergia também aguçaram o interesse da platéia na Expo Shanghai. A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e a exportação pelo terminal público instalado no porto de Paranaguá são facilidades logísticas que podem viabilizar as operações de exportação.

A produção orgânica de alimentos chamou a atenção de representantes de diversos órgãos da agricultura chinesa, uma vez que a produção sem o uso de agrotóxicos traz menos riscos à produção. Ficaram abertas as possibilidades de mais informações sobre o assunto para pesquisas. Segundo o secretário, os chineses se interessaram pelo tema, uma vez que a produção de peixes, frangos, patos e arroz não podem conviver com o uso de veneno nas lavouras.