Foto: Aliocha Maurício/O Estado

Carlos Marés: recursos direcionados às cooperativas.

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) repassou recursos da ordem de R$ 302 milhões a projetos paranaenses no ano passado. O volume é 33% maior do que o registrado em 2004, quando o repasse atingiu R$ 227 milhões. A expectativa é que estes recursos, somados à contrapartida de R$ 230 milhões dos empreendedores, gerem quatro mil novos empregos no Estado e incrementem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em R$ 100 milhões. Os dados fazem parte do balanço financeiro da instituição, divulgado ontem em Curitiba.

Ao todo, 2.636 projetos foram aprovados para financiamento pelo BRDE no Paraná. A maior parte deles – cerca de 2,5 mil – se concentrou no setor agropecuário. Já na proporção de volume de crédito, 37% foi para o setor primário, 35% para o secundário (indústria) e 28% para o terciário (comércio e serviços).

De acordo com o presidente do BRDE, Carlos Marés, os recursos se distribuíram entre diferentes segmentos, conforme o estado (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e a região de cada um deles. ?No caso do Rio Grande do Sul, foram as pequenas hidrelétricas. Já no Paraná, foram as cooperativas?, revelou. Segundo Marés, o objetivo do BRDE é se tornar cada vez mais acessível ao pequeno industrial, comerciante e produtor rural. Nesse sentido, a instituição vem firmando parcerias com cooperativas de crédito. ?O banco está voltado para buscar negócios no interior?, explicou. No ano passado, o BRDE firmou parceria com Francisco Beltrão, e este ano com Londrina e Toledo. Outra frente é o trabalho em regiões menos desenvolvidas, com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo.

Com relação à inadimplência – especialmente no campo, com a quebra da safra provocada pela forte estiagem -, Marés garantiu que não é esta falta de pagamento que preocupa. ?Tem que separar as coisas: há a inadimplência sazonal e a estrutural. Como trabalhamos financeiramente a longo prazo, uma crise momentânea não preocupa. Mas a inadimplência estrutural, essa sim é problemática porque são casos de programas mal estruturados, mal planejados?, explicou.

Região Sul

Na Região Sul, o BRDE firmou 6.833 contratos de financiamento no ano passado, totalizando volume de R$ 938 milhões – aumento real de 38% na comparação com 2004. Desse montante, cerca de R$ 735 milhões foram liberados ainda em 2005, com destaque para a indústria, que recebeu a maior fatia de recursos – R$ 275 milhões, o que representou incremento de 47% em relação ao ano anterior.

Já o volume de recursos aprovados pelo BRDE foi bem maior e atingiu a casa de R$ 1,1 bilhão – aumento de 35% sobre 2004. Parte desse montante, porém, nem chegou a ser contratada por falta de projetos viáveis. ?O nosso banco depende de projetos, de empreendedores, da sociedade organizada?, salientou Marés. Segundo o diretor-financeiro do BRDE, Paulo Cesar Furiati, alguns projetos são rejeitados porque não são viáveis. Outros são viáveis, mas não têm garantias suficientes.