Maricultura

Paraná quer virar centro de cultivo de ostras nativas

Apostar na maricultura (cultivo de organismos marinhos em seu habitat natural) em contraposição à pesca artesanal. Este será o desafio que os governos federal e estadual terão pela frente para transformar o Paraná em um dos maiores centros de cultivo de ostras nativas do Brasil.

O Projeto de Desenvolvimento da Aquicultura e Pesca no Litoral do Paraná prevê a instalação dos cultivos nos municípios da costa paranaense. Em um primeiro momento, o programa deve atender as localidade de Guaraqueçaba, Paranaguá e Guaratuba.

Futuramente, Antonina e Pontal do Paraná serão beneficiadas com o programa e mais 15 projetos para a cessão de áreas, os quais tramitam no Ministério da Pesca e Aquicultura.

O projeto terá apoio do Fundo Paraná, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), que vai liberar R$ 1,5 milhão. O programa de cultivo de ostras vai beneficiar, em um primeiro momento, 114 famílias de pescadores artesanais (aproximadamente 270 pessoas) que estão vinculadas a associações ou colônias de pescadores. Os trabalhos começam em janeiro de 2010.

De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, o governo federal vai ceder o espaço físico da água, cuja propriedade pertence à União, e licitar áreas para o processo de criação.

“Os dois governos tomaram uma atitude inteligente ao permitir a instalação dessa ‘fazenda’ de ostras. Assim estamos criando uma alternativa a mais para a renda desses pescadores artesanais e poderemos transformar o Paraná em uma referência nacional na produção de ostras nativas. Acredito que tem tudo para dar certo”, afirma.

Bianchini diz também que espera para o futuro que as fazendas de ostras sejam a principal fonte de renda dos pescadores artesanais. “Devemos incentivar cada vez mais a criação dessas fazendas marinhas e podemos ampliar esse programa. É como se fosse feita uma reforma agrária marinha”, conta.

Treinamento

O programa vai contar com suporte técnico e acompanhamento do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Paraná (Emater), que está elaborando projetos para a obtenção da cessão de uso de áreas para criação de ostras. O médico veterinário e técnico da Emater Luiz Danilo Muehlmann explica o que será feito.

“O treinamento e acompanhamento dos pescadores na instalação e condução das criações serão realizados pelos técnicos do Emater, que também serão responsáveis pela orientação da tecnologia de produção, organização e a comercialização.

Além disso, o Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos – CPPOM, parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Prefeitura Municipal de Guaratuba, vai produzir as sementes necessárias para a realização dos cultivos, informa o técnico.

Muehlmann fala ainda que as associações de pescadores e de maricultores e prefeituras dos municípios envolvidos também estão prestando todo o apoio necessário ao desenvolvimento da atividade.

“Todos devem trabalhar para que o projeto continue sempre em progressão. Considerando a demanda existente pela ostra no mercado, as condições favoráveis para a criação no litoral do Paraná e a necessidade de alternativas de renda para os pescadores artesanais, existe a possibilidade de expansão para mais projetos futuramente”, revela.

Equipamentos

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Litoral tem condições apropriadas para o cultivo, com locais ainda pouco impactados.

O engenheiro de pesca da Superintendência do Ministério da Pesca e Aquicultura do Paraná Luiz de Souza Viana informa que cada família vai receber cem metros de “longline” (cordas de nylon-seda) e também cem lanternas de quatro andares para o desenvolvimento das ostras.

“Cada andar destas lanternas irá produzir quatro dúzias do molusco. Ao todo serão 1,6 mil ostras por longline, o que daria 3,2 mil ostras por ano”, afirma. Em um primeiro momento, os produtores devem receber R$ 700 mensais.

Para garantir a qualidade da ostra, o produto passará por depuradores, equipamento que retira as impurezas. Um está em Paranaguá e o outro, em Guaratuba. Futuramente, mais dois depuradores serão instalados em Guaraqueçaba.

Ideia é criar nova classe, com pescador virando criador

A maricultura promete trazer vantagens para o meio ambiente e para os próprios pescadores, pois a atividade extrativista de pescados apresenta tendências
de redução.

“Como os estoques de pescados são limitados, existe essa preocupação de que cada vez mais ficará difícil encontrar peixes e, consequentemente, haverá queda acentuada na renda dos pescadores artesanais.”

O litoral do Paraná apresenta as condições ambientais apropriadas para o cultivo e com grande quantidade de locais ainda pouco impactados pela ação do homem. “A espécie a ser cultivada é nativa e, portanto, bem adaptada ao meio. Não serão utilizadas espécies exóticas que poderiam trazer algum efeito negativo sobre o ambiente”, conta.

Nova classe

Com isso, espera-se criar uma nova classe entre os pescadores artesanais. “A alternativa da criação transforma o pescador em criador e, portanto, um administrador da atividade. Ele vai planejar e executar a atividade conforme as suas possibilidades e necessidades de renda, diferente de como acontece com a atividade da pesca (captura) que, muitas vezes, mesmo com todo o esforço despendido, não traz o equivalente retorno em produto (pescado). O pescador (criador) passará a ser o principal interessado em manter as condições ambientais adequadas, pois depende delas para o sucesso da sua produção”, avalia.

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