O Paraná responde por 90% das plantas medicinais consumidas no Brasil, em especial a camomila, uma plantinha de flor branca, corola amarela e agradável cheiro doce.

Dos cerca de 3 mil hectares cultivados com plantas medicinais do Estado, 1.800 hectares são de camomila, que na última safra resultaram em uma produção de 600 toneladas volume que deve se repetir na atual safra que está em plena colheita.

Cerca de 85% da produção de camomila está concentrada na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), com destaque para Mandirituba, São José dos Pinhais e Campo Largo.

Apesar da produção continuar difundida no Estado, nem tudo são flores para os produtores, que nos últimos anos vêm enfrentando problemas com a baixa produtividade e queda nos preços.

De acordo com o coordenador estadual de Plantas Medicinais do Instituto Paranaense de Assistência Técnica (Emater) e autor de onze livros sobre o tema -, Cirino Corrêa Júnior, a camomila é uma excelente opção de inverno. No entanto, a utilização de sementes de com baixo potencial genético tem refletido na produtividade.

“É muito comum o uso de sementes que ficam na secadeira, e são resultados de várias safras”, comentou. Pesquisadores da Emater, Embrapa e Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, estão trabalhando no melhoramento de uma nova variedade, que só deverá chegar ao mercado em cinco anos.

Estado cultiva 1.800 hectares e colhe atualmente 600 toneladas.

Aliado à baixa produção, em algumas regiões os produtores estão enfrentando problemas com fungos, o que obriga o manejo convencional, com uso de herbicidas.

Segundo o extensionista da Emater de Mandirituba, Orlando Assis, estudos mostraram que a aplicação não deixa resíduos na cultura, no entanto, reflete no aumento do custo de produção.

Para uma produção estimada em 400 kg/hectare peso seco, o custo é de R$ 975 por hectare para a camomila plantada após plantio da colheita de batata, milho ou feijão.

Se for no sistema orgânico o custo aumenta para R$ 1.782 por hectare. Segundo Orlando Assis, os produtores precisam quebrar a resistência e melhorar o manejo, destinando áreas exclusivas para a produção de sementes.

Mercado

Diante desse cenário, a produção no Estado estabilizou, e desde 2006 não ocorre aumento da área plantada. Como os produtores não são organizados, houve reflexo nos preços pagos, que há três anos não têm reajustes.

Enquanto a camomila de primeira, ou só a flor, chegou a render R$ 12 o quilo, hoje não passa de R$ 7. Mas quem apostou na cultura, garante que ainda está valendo a pena.

É o que afirma Arildo de Oliveira Franco, que há vinte anos deixou a fabricação de móveis para se dedicar à camomila. Hoje, além de cultivar uma área de 30 alqueires, mantém sociedade com outros produtores fornece a semente e garante a compra da produção -, e adquire a safra de pequenos colonos. Franco foi um dos pioneiros em Mandirituba a investir na cultura e, atualmente, além do plantio, possui uma estrutura para separar, secar e embalar a planta.

Luís Adriano e seu pai, Arildo de Oliveira Franco, em Mandirituba.

O filho de Franco, Luís Adriano, que tomou a frente dos negócios, conta que eles possuem uma estrutura para processar 100 toneladas de camomila por ano. E para aproveitar a estrutura existe,nte, hoje embalam 28 tipos de chás diferentes que são comercializados com a marca Mandiervas distribuídas para indústrias e farmácias.

Entre as variedades estão, as nativas guaco, cavalinha e carqueja, adquiridas de produtores locais; as importadas, como boldo, erva doce e funcho, que vem de importadoras paulistas. Por mês são embaladas no local uma média de 40 mil unidades.

Quarta espécie mais cultivada

A camomila é a quarta espécie medicinal mais cultivada no mundo, atrás da papoula, dedaleira e hortelã. O maior consumidor e importador é a Alemanha, sendo que o maior produtor mundial é a Argentina (cerca de 15 mil hectares).

A planta é originária da Europa, e chegou ao Brasil há mais de 60 anos com os imigrantes poloneses, ucranianos e alemães. Da camomila são utilizadas as flores, onde se concentra o óleo essencial, com alto poder curativo, de onde se extrai cerca de 120 sustâncias químicas (28 terpenóides, 36 flavonóides e 52 outras substâncias orgânicas).

A espécie tem propriedades antiinflamatórias e calmantes, e além da área farmacêutica, é utilizada como alimento na indústria de licores, na forma de chás e aromatizantes de erva-mate.

Já na indústria cosmética tem larga utilização na fabricação de produtos de higiene pessoal; e na agricultura, é usada como complemento da ração animal no inverno. (Fonte: livro O cultivo da camomila, Curitiba, 2008, autores Cirino Corrêa Junior, Mariane Scheffer, Aurélio Borsato e Estefano Dranka).