Cambé – Os brasileiros estão cada vez mais próximos de terem versões genéricas de 23 remédios que estão, hoje, entre os mais vendidos no País. É que, até 2011, devem expirar as patentes de uma série de medicamentos, que no Brasil vencem em dez anos.

Assim, em cerca de dois anos, marcas famosas nesta década, como o Viagra, da Pfizer, já poderão ter seus genéricos comercializados. E as indústrias farmacêuticas estão se preparando para, já no dia seguinte em que a venda for permitida, terem seus produtos nas prateleiras das farmácias.

Boa parte desses remédios pode ser produzida no Paraná. A Sandoz Brasil – que é a divisão de medicamentos genéricos da Novartis e tem uma unidade em Cambé, no norte do Estado, para produzir principalmente comprimidos – é uma das empresas que já começou a desenvolver suas versões das fórmulas que estão com patentes por vencer.

Tudo para aumentar em 30% o faturamento, que em 2008 foi de R$ 240 milhões, e sair da quinta posição que ocupa hoje entre os maiores laboratórios de genéricos do País. A intenção é figurar entre as três principais empresas nacionais do ramo.

“Rapidez e simplicidade são fundamentais no setor. Quem não é rápido é atropelado”, diz o diretor de operações técnicas da Sandoz Brasil, José Luis Lopes. “Se o remédio perdeu a patente hoje, amanhã seu genérico tem que estar na farmácia”, completa.

Segundo ele, colocar mais moléculas no mercado, assim como medicamentos complexos – os chamados “difficult to make” -também faz parte da estratégia da empresa para subir de posição no ranking.

Outros nomes

Além do Viagra, entre outras drogas famosas que perdem a patente nos próximos anos estão o Diovan (para pressão alta), fabricado pela própria Novartis, e o Lipitor (o medicamento mais vendido no mundo, usado para a redução do colesterol), também da Pfizer.

Lopes diz que o trabalho para lançar os genéricos desses e de outros remédios já começou. “É preciso no mínimo dois anos para o desenvolvimento, que envolve desde os testes até a obtenção da licença”, conta.

Obter a licença para vender um medicamento é um capítulo à parte. Conforme Lopes, o processo de aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) leva de seis a 12 meses para ser concluído e envolve a elaboração de dossiês e uma série de trâmites burocráticos. Por isso a pressa em começar o desenvolvimento do genérico, trabalho que é permitido mesmo antes da patente do remédio original expirar.

Com toda a parte regulamentar concluída, é hora de uma nova guerra: a das prateleiras. De início, por força da lei, o genérico sai com o preço 35% menor que o original.

“Depois, o mercado acomoda os preços”, explica Lopes. Porém, no ramo, nem só os preços contam. Há, também, a confiança nas marcas – e nesse ponto a Sandoz acredita estar na frente de boa parte dos concorrentes – e o trabalho de relações públicas com os médicos – estratégia que qualquer empresa do setor guarda a sete chaves. O repórter visitou a Sandoz Brasil a convite da empresa

Investimento em hormônios e genéricos com marca

Além dos genéricos das patentes importantes que estão por expirar, a Sandoz está investindo em outros produtos para aumentar seu portfólio. A empresa está, por exemplo, ampliando sua área hormonal, que envolve, principalmente, a fabricação de anticoncepcionais.

A unidade de Cambé é a única do grupo habilitada a desenvolver e produz,ir hormônios. Os investimentos na planta, este ano, são de cerca de R$ 6 milhões. A empresa aposta, também, em outra tendência:os genéricos com marca.

O produto, no caso, não recebe apenas o nome da fórmula, mas também um nome específico. Para a companhia, o mercado brasileiro tende a confiar mais nesse tipo de produto.

Se a estratégia, que também vem sendo usada por outros fabricantes, for bem sucedida, o Brasil pode, no futuro, ter os genéricos como maioria no mercado. Hoje, esse tipo de medicamento responde por cerca de 20% das vendas nacionais. Nos Estados Unidos, onde os genéricos existem há 40 anos, a fatia é de 60%.