Sisbi

Paraná está autorizado a credenciar agroindústrias

O Paraná é o primeiro estado brasileiro a ser incluído no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi). A portaria, assinada pelo secretário nacional da Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, no último dia 19, prevê a autorização para fiscalizar e credenciar agroindústrias para vender produtos animais em outros mercados do Brasil. Antes desta medida, apenas empresas submetidas ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) é que poderiam comercializar em outros lugares.

O Paraná estava se preparando para receber essa permissão, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), há alguns anos, desde que a lei número 5741/06, conhecida também como Lei Agrícola, passou a vigorar. Por meio desta medida, foi instituído o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) e, dentro deste sistema, foram criados os três Sisbis: para origem animal, vegetal e de insumos. “Essa medida foi tomada porque houve um distanciamento entre os estados brasileiros no que tange às inspeções sanitárias. O Mapa estava com uma dificuldade em gerar essas inspeções. Para acabar com esse problema, veio esta lei”, informa o chefe de inspeção e médico veterinário da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), João Carlos Rocha Almeida. Ele explica como o Estado conseguiu a inclusão obtida junto ao Sisbi. “O Paraná passou por quatro auditorias minuciosas do Mapa. Felizmente, reunimos todas as condições necessárias para ter a licença e nos orgulhamos de sermos o primeiro estado a ser incluído no Sisbi. Estamos montando um sistema uniformizado de informações em 20 núcleos para agilizar todo esse processo”, afirma.

Com essa portaria, quem tem muito a ganhar são os pequenos e médios produtores, pois poderão buscar novos consumidores em outros estados. “Vamos citar, por exemplo, uma agroindústria familiar que produz queijos e salames. Para poder vender em outras partes do Brasil, havia a necessidade de investir um grande aporte de recursos para se adequar ao SIF, o que tornava inviável. Agora, basta ele estar adequado às normas estaduais, pois o selo de fiscalização do Paraná, por meio do Serviço de Inspeção Sanitária para Produtos de Origem Animal (SIP/POA), tem o mesmo efeito do expedido pelo SIF”, explica Almeida. O veterinário diz ainda que a medida será muito benéfica para o Estado. “O Paraná vai ganhar divisas com isso, o nosso produto será bem visto, haverá valorização das empresas paranaenses, enfim, só iremos ganhar. Além disso, os outros estados que ainda não possuem essa homologação são obrigados a aceitar nossos produtos”, garante.

O objetivo agora, segundo Almeida, é trabalhar para que as empresas e os municípios participem e incentivem essa ideia. “Queremos que todos partilhem desse sistema. Isso representa uma quebra de paradigmas de inspeção no Brasil. Acredito que a tendência é melhorar cada vez mais, pois o combate aos clandestinos será mais rigoroso e, consequentemente, iremos ampliar e garantir a qualidade dos nossos produtos”, opina.

Produto promete o fim da picada dos borrachudos

O “Fim da picada” vai proteger também o gado leiteiro, que tem a reprodução afetada diretamente por doenças como a oncocercose.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio de sua unidade de Recursos Genéticos e Biotecnologia, está desenvolvendo um inseticida biológico que promete dar um fim às picadas de borrachudos, que incomoda tanto os seres humanos quanto os animais, além de serem vetores de doenças.

Batizado de “Fim da picada”, o produto é totalme,nte inofensivo às pessoas, animais e ao meio ambiente. O produto foi desenvolvido em parceria com uma empresa do Distrito Federal e deve chegar às prateleiras até o final do ano.

A pesquisadora da Embrapa, Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenadora do setor de Desenvolvimento Biológico e Tecnologia do órgão, Rose Monnrat, diz que o produto passou por uma série de testes até alcançar o resultado obtido.

“Testamos o ‘Fim da picada’ no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul. Os resultados foram excelentes, pois conseguimos atingir 100% da taxa de mortalidade do borrachudo no prazo de 24 horas”, afirma.

A base do produto é uma bactéria chamada Bacillus thuringiensis. Ela age diretamente na larva do borrachudo, deixando-a doente e levando-a à morte. “O borrachudo só traz transtornos. Para as pessoas, ele pode transmitir a oncocercose, que produz grandes tumores sob a pele e, quando o verme se aloja nos olhos, pode causar cegueira parcial ou total. Para os animais, ele gera muito estresse, pois ataca em partes mais vulneráveis. No caso do gado leiteiro, pode gerar diminuição na produção e afetar a reprodução do rebanho. O produto vai garantir um bem-estar para os animais e qualidade de vida para o produtor rural”, garante a pesquisadora.

Monnrat diz que o produto pode ser aplicado em todas as regiões. “Não há contraindicação do seu uso. Em qualquer lugar do Brasil, o uso do inseticida será bem-vindo”. (FL)

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