O pecuarista Augustinho Andreatto, da Fazenda
Rio Preto, já está protegendo seu gado.

O secretário executivo do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), veterinário Silmar Bürer, fez ontem, em Prudentópolis (região Sul do Estado do Paraná), o lançamento da segunda etapa da campanha estadual de vacinação contra a febre aftosa. Na ocasião, foram imunizados 200 animais da Fazenda Rio Preto, uma pequena propriedade que cria bovinos de corte e de leite. O evento reuniu produtores e lideranças rurais e políticas das regiões de Guarapuava, Laranjeiras e Irati. A campanha vai de 1.º a 20 de novembro.

O proprietário da Rio Preto, Augustinho Andreatto, fez um depoimento destacando a importância da vacinação. “Todo ano os meus animais são 100% vacinados e, além disso, porque julgo necessário, faço um trabalho junto aos vizinhos para que eles façam o mesmo”, disse. As palavras de Andreatto foram reforçadas pelo apelo do prefeito de Prudentópolis, Nelson Dal Santos. Ele pediu a todos os produtores que façam o mesmo que Dal Santos e informem às autoridades sanitárias caso tenham conhecimento de algum tipo de resistência à vacinação.

De acordo com Bürer, que representou o presidente do Conesa e secretário da Agricultura Deni Schwartz, que está em viagem à região Oeste, Prudentópolis foi escolhido para o lançamento da campanha pelo fato de reunir pequenas propriedades e rebanhos e simbolizar a agricultura familiar paranaense.

O município tem 8 mil propriedades rurais de pequeno porte, das quais 3 mil possuem rebanhos. “Zelar por produtores e rebanhos com esse perfil é tão importante quanto zelar pelas maiores”, explicou o veterinário, que também fez uma palestra sobre a situação da aftosa no Brasil e nos países vizinhos. “O Paraná não tem casos da doença há mais de 7 anos mas existe perigo na vizinhança”, disse o secretário executivo da Conesa, referindo-se às suspeitas de haver focos no Paraguai e na Bolívia. “Por causa disso – e apesar de cumprirmos rigorosamente às exigências da Organização Internacional de Epizootias de não termos focos, monitorarmos os rebanhos e dispormos de um fundo específico contra a doença – esta ainda não será a última campanha de vacinação no Paraná”, observou.

Apesar de não ser a última campanha, esta etapa marca o recolhimento da última parcela da contribuição dos produtores para o Fundepec. A partir de maio de 2001, os criadores passaram a recolher R$ 0,25 por animal vacinado, totalizando agora R$ 1 por cabeça. Graças a essa contribuição, o fundo está fechando 2002 com aproximadamente R$ 8,5 milhões. Esse dinheiro só será usado caso o Estado registre novos casos da doença, precise sacrificar rebanhos e, em conseqüência, indenizar criadores.

Recadastramento e rastreabilidade

Este ano, paralelamente à campanha de vacinação a Secretaria da Agricultura vai estar fazendo um recadastramento das propriedades rurais que têm rebanhos bovinos e bubalinos. No recadastramento, o pecuarista terá que informar todos os dados de identificação da propriedade e do rebanho nas unidades veterinárias. Este será o primeiro passo para o serviço de rastreabilidade, que será o monitoramento do animal, desde o nascimento até o abate. “É como se cada animal tivesse uma espécie de documento de identidade, contendo as informações sobre raça, nascimento, peso, sistema de criação e alimentação e propriedade a que pertence”, diz Deni. O objetivo é garantir a qualidade da carne que chega à mesa do consumidor brasileiro e também buscar o aumento das exportações.

Uma lei federal exige que todas as propriedades com bovídeos estejam cadastradas até 2005. “É necessário o engajamento de todos os estados para que o País possa se aplicar às exigências de exportação dos países de primeiro mundo”, acrescenta Deni. Segundo ele, há empresas particulares credenciadas para fazer a rastreabilidade, mas o produtor deve verificar se elas estão realmente cadastradas no Ministério da Agricultura. “Há casos de empresas oferecendo serviços não oficiais”, alerta.

As informações obtidas no recadastramento serão utilizadas também na informatização da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), que passará a ser mais ágil e prática. “O pecuarista não precisará mais procurar a Secretaria da Agricultura para obter a GTA. Ele pode retirar a guia na Prefeitura de seu município ou no seu sindicato ou cooperativa, desde que estes órgãos setejam conveniados à Seab, pois os dados cadastrais serão armazenados em um banco de dados central”, explica Felisberto Queiroz Baptista, médico veterinário coordenador da Defesa Sanitária Animal – DSA.

O recadastramento será feito nas 120 unidades veterinárias da Seab. Nos municípios onde não houver unidade veterinária o recadastramento poderá ser feito nos escritórios da Emater, sindicatos rurais ou na Prefeitura. Os documentos necessários são CPF ou CGC e a inscrição do Incra. O recadastramento será feito até o dia 30 de novembro de 2002, podendo ser feito inclusive aos sábados das 8 às 13 horas.