O resultado das vendas no varejo no mês de abril ficou abaixo do esperado e tem como entre os fatores principais a inflação ainda elevada que marcou período e um desempenho menos favorável da massa salarial no País. A avaliação é do economista Pedro Ramos, do Banco Sicredi, que, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, não demonstrou esperança de que haja alguma reação do setor em maio, quando o cenário não deve ser tão diferente.

Nesta quinta-feira, 12, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no comércio varejista caíram 0,4% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 1,75% a uma alta de 1,00%, com mediana negativa de 0,10%. Na comparação com abril do ano passado, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta 6,7% em abril deste ano ante previsões de expansão de 0,10% a 9,10%, com mediana de 6,65%.

Ramos, que trabalhava com a expectativa de uma elevação no varejo de 0,10% na margem, chamou atenção para o comportamento de dois segmentos importantes do varejo, o de Hipermercados e Supermercados e o de Combustíveis, que tiveram baixas em abril ante março, de 1,4% e de 0,8%, respectivamente. Segundo ele, são duas partes que retratam bem cenário recente.

“Tiveram quedas expressivas e que não foram pontuais”, comentou, lembrando que o segmento de Hipermercados e Supermercados registraram o terceiro mês consecutivo de retração. “Isso sugere, por exemplo, que embora ainda possamos ver um crescimento na massa salarial real da economia, ele está num patamar baixo, se compararmos com o que olhávamos anteriormente. Outro fator é a questão da inflação, já que vimos uma pressão maior dos preços justamente naquela janela entra março e abril”, lembrou.

Questionado sobre se os feriados de abril, como a Páscoa e o Dia de Tiradentes, tiveram grande influência no comportamento do varejo, o economista do Sicredi disse que, apesar do número de dias úteis menores do mês, o resultado poderia até ter sido pior. Tudo porque a Páscoa traz um apelo comercial importante que pode ter impedido um desempenho menos favorável do setor.

Para maio, Ramos não trabalha com a possibilidade de grande mudança nas vendas no varejo. No caso da inflação, por exemplo, ele lembrou que alguns dos fatores que aliviaram os índices foram pontuais, como o comportamento de passagens aéreas e o efeito do desconto das tarifas de água em São Paulo. “Acredito que o mês de maio não deve apresentar melhora”, comentou. “Não temos ainda os dados de emprego do período, mas, provavelmente, deveremos continuar vendo o salário real crescendo muito pouco ou até ficando negativo. Por isso, esse quadro (de fraqueza nas vendas) deve permanecer”, opinou.