A redução do rendimento médio mensal do trabalhador em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado poderá comprometer o consumo das famílias e, conseqüentemente, o crescimento econômico. Segundo os coordenadores da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) Alexandre Loloian, da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), e Patricia Costa, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) o indicador, que oscilou 0,4% sobre julho e interrompeu uma queda de três meses consecutivos, caiu 2,7% em relação a agosto de 2006.

Embora a queda tenha sido puxada por São Paulo, cujo rendimento médio mensal diminuiu 7,6% no período, o resultado impactou no desempenho da massa de rendimentos, que subiu apenas 1,1% em 12 meses, justamente pela redução dos rendimentos médios.

"A massa de rendimentos é uma combinação entre emprego e renda. Ou seja, é a capacidade de consumo do trabalhador. Se o emprego cresce pouco e o rendimento cai, o consumo diminui, e qualquer movimento de redução do consumo preocupa", explicou Patricia. "Ainda mais com câmbio valorizado, queda dos juros americanos e um Copom conservador na definição dos juros brasileiros. Isso só aumentaria o fluxo de capitais para o País e valoriza ainda mais o câmbio, prejudicando a competitividade da indústria", acrescentou Loloian.

Desemprego

Segundo os coordenadores, o desemprego deve continuar a cair até o fim deste ano, devido às contratações típicas do fim de ano no comércio e na indústria, mas para que o indicador possa romper a barreira dos 15% em 2008, será necessário elevar o nível de investimentos.

"Em 2004, o PIB cresceu 5,7% e o emprego acompanhou o desempenho mas isso sobre uma base deprimida. Ano a ano, fica mais difícil termos um crescimento mais forte do emprego, pois as empresas já se ajustaram, promoveram as contratações que eram necessárias", disse Loloian.