Na tentativa de salvar o Rota 2030, programa automotivo em discussão pelo governo de Michel Temer, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviço (Mdic) apresentou proposta reduzindo o valor da renúncia tributária para investimento das montadoras em pesquisa e desenvolvimento (P&D). A redução é um aceno à equipe econômica, que se opõe ao programa.

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Segundo o secretário de Desenvolvimento e Competitividade Industrial, Igor Calvet, a nova proposta prevê renúncia tributária em 2018 e 2019 em torno de R$ 1 bilhão ao ano, ante R$ 1,5 bilhão do Inovar-Auto, programa que acabou em dezembro. Ele foi questionado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por cobrar imposto maior de carros importados, medida não incluída no Rota.

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“O Mdic já fez todas as concessões que poderia fazer, não há mais o que ceder. Além desse ponto seria uma proposta de estímulo ao emprego em outros países, e isso não podemos aceitar”, diz Calvet. Dirigentes do setor automotivo já chegaram a dizer que, sem o Rota, algumas fabricantes podem rever investimentos ou até deixar de produzir localmente. O Inovar-Auto estabelecia deduções fiscais nos investimentos em P&D.

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Segundo a reportagem apurou, no início de abril o presidente Temer deve se reunir com executivos de montadoras e anunciar sua decisão sobre o Rota – prazo já adiado várias vezes.

A equipe econômica quer que os investimentos em P&D sejam enquadrados na Lei do Bem, que prevê o abatimento desses recursos no Imposto de Renda e na CSLL. As montadoras preferem que os recursos gerem créditos tributários a serem abatidos no pagamento de outros tributos. Alegam que têm tido prejuízos nos últimos anos, por isso não pagam IR.

O Mdic concordou em enquadrar o Rota na Lei do Bem por quatro anos, a partir de 2022, o que seria um segundo aceno ao Ministério da Fazenda. “É necessário um período de transição”, diz Calvet. Os abatimentos passariam a valer a partir de 2019, pois não há previsão para esse gasto no orçamento de 2018.

Pela proposta do Mdic, cada R$ 3,30 investidos em P&D gera R$ 1 em crédito tributário. O investimento das montadoras seria maior do que no Inovar-Auto, que previa R$ 1 em crédito para cada R$ 3 investido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.