Rio (AE) – A ?nova valorização? recente do real vai acelerar ainda mais o crescimento das importações em 2007 e consolidará a substituição de fornecedores domésticos por fornecedores externos de produtos para o Brasil, segundo avalia o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira. Para ele, os produtos importados continuarão a retirar mercado da produção industrial doméstica, especialmente de setores intensivos em mão-de-obra como tecidos, vestuário e calçados. Além disso, já começam a afetar também a produção interna de bens de consumo duráveis.

?As empresas levam um tempo para contratação de um fornecedor externo, mas a consolidação do câmbio baixo facilita a substituição do fornecedor do mercado interno pelo externo?, alerta.

Segundo Pereira, a competição dos importados tem contribuído para provocar uma ?desindustrialização? do País, que será demonstrada nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006, avalia. Ele explica que a desindustrialização consiste na perda de participação da indústria no PIB do País, processo que, ainda segundo o economista, já está em curso no Brasil.

?Ainda é muito cedo?, de acordo com Pereira, para ocorrer a perda de participação da indústria no PIB brasileiro, um processo que é característica de países ricos, com elevado PIB per capita, nos quais a sociedade é mais rica e já desfruta de infra-estrutura bem desenvolvida, com ganho de participação de setores como serviços.