Atenção redobrada com os gastos de final de ano. Apesar do recebimento do décimo terceiro salário, a elaboração de um planejamento orçamentário deve estar em primeiro plano, para que no começo do próximo ano não falte dinheiro para quitar despesas e cumprir com os compromissos. O peso da variação de alguns impostos também deve incidir diretamente sobre o bolso do consumidor a partir de janeiro.

Segundo o Dieese, o reajuste das mensalidades escolares, do pagamento do IPTU, IPVA, cartão de crédito e seguro do carro, pode pegar todo mundo de surpresa. Com isso, o planejamento torna-se necessário. Para o economista Sandro Silva, a renda extra que chega no final do ano deve ser administrada com certo receio. Um dos principais conselhos é evitar gastar tudo com compras. "É necessário ter um suporte que garanta a quitação das despesas que surgem no início do ano. Sem um planejamento, isso fica difícil. Não quer dizer que as compras terão que ser evitadas, mas tem que existir um controle", disse o economista.

De acordo com o Dieese, um dos itens que já teve reajuste confirmado foi o IPTU. Conforme divulgação da Prefeitura de Curitiba, o pagamento já em janeiro terá aumento de 8% em relação ao mesmo período desse ano. As mensalidades escolares que, segundo Sandro, sempre aumentam no início do ano, devem variar entre 8% a 10%. "O reajuste de uma escola para outra será diferente, mas como em todo ano, o aumento deve estar presente. Assim como a compra de novos materiais escolares. A princípio acredita-se que os gastos com cadernos, lápis, e outros materiais não são grandes, mas no final, o peso dessas compras também pesa no bolso", afirmou.

Outro ponto destacado pelo economista diz respeito ao parcelamento das compras feitas para o Natal e Ano Novo. Ele destaca que o consumidor tem que avaliar se não é melhor pagar à vista, e evitar os juros que acabam incidindo sobre um parcelamento. "Isso depende de uma série de fatores, por isso é importante a procura pelo preço mais em conta e pela melhor forma de pagamento. Qualquer decisão equivocada na hora da compra pode atrapalhar o pagamento das despesas nos meses seguintes", completou.

Para o economista Sérgio Hardy, do Conselho Regional de Economia (Corecon), o planejamento deve fazer parte de qualquer classe social, independente do recebimento da renda extra de final de ano. Segundo ele, a maior parte da população brasileira não recebe o décimo terceiro salário ou está desempregadA. Nesse caso, destaca ele, "os gastos têm que estar ainda mais sob controle".

Para aqueles que recebem o pagamento em dezembro, a idéia principal é colocar todos os gastos do mês no papel, e verificar o quanto poderá sobrar após a quitação de todas as contas. Para quem recebe o décimo terceiro, uma parte deve ser reservada para garantir o pagamento dos impostos cobrados a partir de janeiro. O que resta da renda extra pode ser investido ou gasto em compras para o Natal. "Os impostos vêm em seqüência e qualquer gasto a mais pode comprometer esses pagamentos. Por isso o planejamento se torna essencial", ressaltou.