Ao comentar a forte concentração do sistema financeiro brasileiro, no qual os dez maiores bancos respondem por 80% de todo o crédito concedido, o ministro da Fazenda, Guido Mantega disse que é difícil conseguir concorrência maior no sistema financeiro. “Por sorte, bancos públicos podem fazer política anticíclica”, afirmou em audiência pública da Comissão Mista da Medida Provisória 567, que trata das mudanças na caderneta de poupança. “No passado os bancos estrangeiros vieram e não foram bem-sucedidos. Temos preocupação em aumentar a concorrência no setor e acredito que caminharemos para isso num futuro próximo”, completou.

O ministro lembrou também a estratégia do Tesouro Nacional em reduzir o porcentual de títulos remuneradas pela Selic (LFTs) na dívida pública. “Essa fatia já caiu bastante. São papéis ruins porque têm indexador natural e queremos desindexar a economia”, disse Mantega. “Já proibimos os fundos ligados ao governo de fazer aplicações nesses títulos e não estamos renovando esses papéis que estão vencendo. Procuramos aumentar a participação de prefixados”, concluiu.

Motos

Mantega revelou também que o governo estudas medidas de desoneração para o setor automotivo de duas rodas, a exemplo do que ocorreu no auge da crise de 2009. Em um longo bloco de respostas aos parlamentares, Mantega afirmou ainda que o cadastro positivo possui imperfeições jurídicas que precisam ser corrigidas, citando projetos nesse sentido que tramitam no Congresso.