As esquivas de Paulo Guedes quando questionado sobre sua determinação para comandar a equipe econômica de Jair Bolsonaro alimentam a desconfiança de operadores do mercado financeiro sobre o sucesso de um eventual governo do candidato do PSL. Para investidores e gestores ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, é justamente a figura de Guedes que dá o verniz liberal que os cativa. Esses operadores dizem que mantêm reservas sobre o projeto apresentado pelo deputado até agora, que carece de detalhamentos e peca pela falta de pragmatismo, mas que o risco do retorno do PT ao poder os assusta muito mais por ora.

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Guedes empenha-se há meses na campanha de Bolsonaro, de quem diz ter se tornado amigo. Visitou-o no hospital e posou para fotos ao seu lado para dirimir rumores sobre desentendimentos entre os dois.

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Ele mantém subentendido seu papel de futuro ministro da Fazenda, mas costuma expressar condicionantes para sua presença em Brasília no ano que vem: a “mídia” apoiar o futuro presidente, partidos darem governabilidade e Bolsonaro apoiar as reformas liberais.

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Ao jornal O Estado de S. Paulo, em abril, ao ser questionado se desejava participar do governo, disse que ele e Bolsonaro estavam “em conversa”. Durante a entrevista, disse que, não fosse seu projeto de reformas abraçado de fato pelo candidato, estaria “fora”.

Desde então, manteve a postura. Permite que o considerem como futuro “superministro” de Bolsonaro, mas segue deixando no ar seu efetivo papel. “Não sou suicida nem idiota”, disse à Veja em agosto, explicando que está “lutando por uma grande visão”, mas caso ninguém a entenda, “paciência”. À Piauí de setembro fez discurso parecido: “Se não der para fazer o negócio bem feito, que valha a pena, para quê eu vou?”. Pressionado sobre se desistiria, afirmou: “Esse prazer eu não dou. Só depois que ele for eleito”.

Um dos aliados mais próximos de Bolsonaro, o deputado Major Olímpio (PSL-SP) afirmou que “é óbvio para quem quiser ver” que Guedes irá para o governo. “Ele só não confirma isso por pura humildade.”

Um executivo que já trabalhou com Guedes e conversou com a reportagem sob reserva faz a mesma aposta, mas pondera que a relação dele com Bolsonaro pode se desgastar rapidamente caso as propostas liberais não prosperem. A pessoas próximas, quando questionado sobre isso, Guedes costuma brincar dizendo que, se conseguir levar Bolsonaro alguns passos rumo ao liberalismo econômico, sua participação já terá valido a pena. Procurado, Guedes não quis conceder entrevista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.