Para CNI, elevar imposto de importação é ‘controvertido’

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, afirmou hoje que a proposta de elevação do Imposto de Importação é “controvertida”. Segundo ele, alguns setores da indústria se beneficiam das alíquotas mais baixas do imposto. Conforme Andrade, para competir com alguns produtos da China, o aumento da alíquota do Imposto de Importação para 35% (o máximo permitido pela OMC) não resolveria. “Teria de ser de 500% para alguns produtos da China”, ironizou.

Segundo o presidente da CNI, a preocupação em relação à alíquota do Imposto de Importação baixa é o desestímulo à produção nacional em alguns setores. Ele afirmou que o Brasil já teve uma indústria de autopeças e componentes forte, mas que esses segmentos foram dizimados em razão da competição dos importados. “Não podemos permitir que isso aconteça com outros setores”, disse. Para Andrade, o Brasil necessita de um sistema de defesa comercial mais firme. Além disso, defendeu que é preciso homogeneizar as exigências que algumas agências reguladoras colocam para os produtos nacionais, mas que não são exigidos dos similares importados.

Andrade disse que o ministro da Fazenda sinalizou que estão sendo analisadas medidas de desoneração das exportações da folha de pagamento das empresas e dos investimentos. Segundo ele, a desoneração da folha seria “muito bom para o País”. Ao ser questionado se os recursos do “Sistema S” poderiam ser utilizados para compensar a perda de arrecadação, como já foi cogitado pelo governo anterior, Andrade disse que essa questão não está sendo discutida. O dirigente argumentou que a qualificação de mão de obra é um dos grandes gargalos do País e que seria necessário aumentar os recursos para a formação profissional e não a retirada das transferências do dinheiro das entidades do Sistema S (que inclui entidades como Sesi, Senai, Senat e Senar).

O presidente da CNI confirmou, também, que o ministro da Fazenda anunciou que o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES não acabará no final de março, como era previsto. Segundo ele, este programa emprestou R$ 45 bilhões para pequenas e médias empresas, fabricantes de bens de capital. Andrade disse, ainda, que o ministro Guido Mantega afirmou que o BNDES terá em torno de R$ 150 bilhões para linhas de financiamento, mas não detalhou quanto seria destinado ao PSI.

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