Os ADRs brasileiros – recibos das ações de companhias nacionais negociados em Nova York – estão acompanhando a onda de boas notícias que animou o mercado e já valorizaram na média entre 30% e 40% desde o dia 16 de outubro, data em que atingiram o nível mais baixo do ano.
Segundo Fábio Gheilerman, chefe da mesa de bolsa de América Latina do J.P. Morgan em Nova York, vários bancos estão recomendando a troca de investimentos em ações do México por papéis do Brasil. ?A alta dos ADRs é um reflexo da valorização do real e de sinais positivos como o sucesso do governo brasileiro na rolagem da dívida e uma volta de confiança em relação ao presidente eleito?, diz Gheilerman.
O México estaria perdendo pontos porque é mais dependente dos Estados Unidos e estaria sendo contaminado pela estagnação da economia americana. De acordo com Gheilerman, ADRs de bancos como Itaú (alta de 3,15% hoje), Unibanco (1,53%) e Bradesco (2,31%) puxaram a recuperação, juntamente com empresas de primeira linha como Petrobras (3,36%) e Companhia Vale do Rio Doce (0,15%). ?Ganhamos terreno desde o dia 16 de outubro, mas ainda estamos distantes das altas históricas?, ele ressalva.
A Petrobras ON, por exemplo, subiu 38,75% desde o dia 16 de outubro e a Telemar, 39%. Mas, no ano, ADRs brasileiros ainda acumulam queda de 42,33%, só perdendo para a Argentina, cujos papéis desvalorizaram 54,27%.
Entre os mercados emergentes, a Ásia ainda continua como a queridinha dos investidores, apesar dos receios sobre efeitos na região de uma eventual guerra entre Iraque e EUA. A ameaça ao fornecimento de petróleo proveniente do Oriente Médio em caso de guerra prejudicou o desempenho de ADRs de países como Taiwan e Coréia do Sul, altamente dependentes das importações do produto.
Esses países também dependem bastante de exportações para o crescimento econômico e a valorização de suas moedas e a desaceleração econômica norte-americana estão tornando pior a perspectiva para as vendas externas da região.


