O impacto da valorização do dólar e consequente aumento no preço da farinha de trigo importada será sentido pelo consumidor nos próximos meses. O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), Joaquim Cancela Gonçalves, prevê correção de 5 a 7% nos produtos à base de trigo, mas não como consequência apenas do preço do produto, mas também do reajuste salarial dos trabalhadores no setor, previsto para o próximo semestre. “Tudo isso deve refletir no preço do pão, mas não de maneira abusiva. Cada panificadora tem planilha diferente e o mercado no Paraná é bem competitivo – o de trigo também – o que faz com que o preço não suba muito”, comenta.

Segundo informações da Abip, os associados já estão adquirindo a farinha de trigo com reajustes de preços praticados pelos moinhos. “Esta semana o fornecedor indicou aumento de 6 a 7%, que já era esperado pela indústria, mas não vai repassar para a panificadora até o final de agosto, quando voltaremos a negociar”. O mesmo comprador explica também que a preferência pela farinha de trigo importada (parte do Canadá e da Argentina) se deve ao tipo do grão. “O trigo nacional é mais forte e não absorve tanta água. A massa fica sem elasticidade.”