O futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, assumirá o cargo com uma equipe renovada. No dia 31 de dezembro, Palocci deve anunciar os nomes dos postos principais no ministério, como os secretários da Receita Federal, do Tesouro Nacional e de Política Econômica. A garantia foi dada pelo futuro ministro ao sair do Ministério da Fazenda, ontem, após se reunir por mais de quatro horas com o atual ministro Pedro Malan.

Palocci, entretanto, sinalizou que poderá manter alguns membros da atual equipe. Ontem pela manhã havia o boato não confirmado por ele de que o secretário do Tesouro, Eduardo Guardia, seria convidado a permanecer no cargo. “A equipe deve valorizar muitos profissionais da própria estrutura. Mas podemos eventualmente mudar nomes”, afirmou. Em oposição, o futuro ministro reiterou que a diretoria do Banco Central permanecerá no cargo no início do governo petista. “Consideramos que a atual equipe é adequada para fazer a transição. Com ela podemos fazer tranqüilamente o processo de transição”, reafirmou.

O presidente do BC, Armínio Fraga, divulgou anteontem nota em que coloca à disposição do PT os diretores de sua equipe para o processo de transição de governo.

A montagem da nova diretoria do BC, entretanto, já começou a ser discutida. Palocci tentou amenizar as pressões pela divulgação de nomes: “O mercado pode ficar tranqüilo. As pessoas certas estarão nos lugares certos. Vamos fazer uma política muito responsável”.

Meirelles anuncia primeiro nome

O presidente indicado para o Banco Central, Hen-rique Meirelles, já começou a formar a sua futura diretoria. O primeiro convidado é Antônio Hermann, ex-presidente do Banco Itamarati e da ABBC (Associação Brasileira de Bancos). Amigos de Hermann dizem que Meirelles teria chamado o ex-presidente da ABBC para ocupar ou a diretoria de Política Monetária ou a de Normas.

Embora oficialmente Hermann ainda não tenha aceito o convite, pessoas ligadas a ele garantem que ele dirá ??sim?? para Meirelles. Hermann não está no Brasil para confirmar pessoalmente se aceitará ou não o convite. Ele está voltando de uma viagem a Buenos Aires.

A relação entre Meirel-les e virtual diretor do BC ficou mais próxima nos últimos três meses, quando Hermann trabalhou na campanha política do futuro presidente do BC como coordenador financeiro.

Antes disso, Hermann assessorava a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) na área de SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro). Hoje Hermann é contratado pela BDO Directa Consultores, em São Paulo (SP).

Empresários elogiam Meirelles

São Paulo

(AE) – Empresários de diversos setores elogiaram a escolha de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central (BC). Para Ivo Rosset, presidente da Valisère, Meirelles é “um excelente nome”. “Ele é muito competente e tem habilidade política e financeira”, afirmou. Na opinião de Rosset, Meirelles é a pessoa certa para aqueles que não especulam. “Do lado de quem não especula, Meirelles é a pessoa certa. Mas do lado dos que especulam, talvez ele não seja a pessoa mais indicada.” Sobre o fato de Meirelles ser do PSDB, Rosset disse: “O importante é escolher pessoas com competência e capacidade. Não importa o partido. O interesse maior é o Brasil”.

Quem também elogiou a escolha de Meirelles foi Boris Tabacof, presidente do conselho da Braselpa. Em relação às críticas de que o futuro presidente do BC não tem condições de operador – como disseram algumas pessoas do mercado -, Tabacof disse considerá-las irrelevantes. “A exemplo do Alan Greenspan (presidente do Fed), é preciso para a presidência do BC alguém com visão maior e não apenas a de operar bolsas e mesas.”

Fernando Xavier, presidente da Telefonica, também considerou positiva a escolha de Meirelles. “Ele conhece bem o mercado e tem experiência nacional e internacional. É muito bom nome.” O secretário municipal de Finanças, João Sayad, ex-ministro do Planejamento do governo Sarney, limitou-se a dizer que a escolha de Meirelles foi “boa”. “Desejo a ele sorte.”

Dólar volta a fechar em baixa

O dólar encerrou a sexta-feira em forte baixa e acabou revertendo o ganho da semana para uma perda de 0,2% com o mercado aliviado pelo anúncio do futuro presidente do Banco Central e animado com a renovação integral de uma dívida cambial que vence na quarta-feira. Operadores já prevêem que a moeda volte para R$ 3,50 ainda no final do ano.

A moeda norte-americana fechou com queda de 1,31%, cotada a R$ 3,74 para venda e R$ 3,73 para compra – acima, entretanto, da mínima do dia, R$ 3,70. O risco-Brasil recuou 2,07%, para 1.561 pontos.

Segundo analistas, o dólar só não sustentou o patamar de R$ 3,70 porque o mercado reprovou a possibilidade de Antônio Hermann ir para a Diretoria de Política Monetária do BC, rumor que passou a circular no fim da tarde. O PT anunciou ontem que a diretoria do Banco Central só será escolhida em 2003.

Dívida

Se não fosse esse rumor, o dólar fecharia abaixo dos R$ 3,70, afirmaram analistas. O otimismo vinha não só da melhor assimilação do nome de Meirelles, mas também da rolagem integral de uma dívida de quase US$ 1,8 bilhão que vence na quarta-feira.

Com apenas duas operações, e pagando taxas de remuneração muito mais baixas, o BC alongou 92,9% do vencimento, deixando o mercado extremamente otimista. A procura por novos contratos cambiais foi alta e a demanda superou em muito a oferta.

Além disso, durante a manhã, o BC também leiloou US$ 150 milhões em linhas externas para abastecer os bancos de “hedge” (proteção cambial) para a virada do ano.

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