Brasília – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, admitiu ontem que, na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, os países desenvolvidos estão fazendo “todo tipo de pressão” para desagregar o G-21, grupo formado pelos países em desenvolvimento e liderado por Brasil, México, Argentina, África do Sul, Índia e China. Nigéria e Zâmbia são candidatos a integrar o grupo. “O G-21 continua muito coeso, mas tem suas divergências internas. Há uma tentativa de exploração dessas divergências pelos países desenvolvidos”, afirmou o ministro, em entrevista por telefone a jornalistas brasileiros.

O G-21 defende que a questão agrícola seja negociada em três pilares: acesso a mercados, subsídios à exportação e mecanismos de apoio interno, proposta aceita para negociação pelo presidente da 5.ª Conferência Ministerial da OMC, Luís Ernesto Derbez. Segundo Rodrigues, para rachar o G-21, os Estados Unidos e a União Européia estão oferecendo “melhoria de negociação bilateral”, pressão que, segundo ele “faz parte do jogo negocial”.

Rodrigues reafirmou a necessidade de os países emergentes manterem firmes suas posições nas negociações. “O grupo não pode alterar nada do seu ideário, por enquanto. Nosso documento não será alterado. Caso contrário, começaremos a fragilizá-lo e haverá dispersão”, afirmou.