O fluxo de dólares para o Brasil aumentou no mês passado. Dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram que o fluxo cambial encerrou maio com ingresso líquido de US$ 2,605 bilhões, valor 15,6% maior que o registrado em abril. Apesar dessa melhora, o resultado do mês passado é 16,9% menor que o registrado em maio de 2009. Segundo o BC, o ingresso de dólares no mês passado foi liderado pelo segmento comercial, responsável pela entrada de US$ 2,671 bilhões. A cifra foi obtida porque as exportações somaram US$ 16,301 bilhões e superaram as importações, que atingiram US$ 13,631 bilhões no período.

Houve ainda saída de US$ 66 milhões pela conta financeira – onde são registradas as transferências para a compra e venda de ações, títulos de renda fixa, investimentos produtivos e remessas de lucros, entre outras transações. Nessa conta, as saídas somaram US$ 30,560 bilhões durante o mês e os ingressos atingiram US$ 30,494 bilhões em maio.

O Banco Central divulgou hoje também o resultado do fluxo cambial na primeira semana de junho, entre os dias 1º e 4. Nesse período mais curto pelo feriado de Corpus Christi, foi registrada saída de US$ 267 milhões do Brasil. Na semana, a maior responsável pela movimentação foi a conta financeira, que amargou saldo negativo de US$ 170 milhões, já que as saídas atingiram US$ 3,292 bilhões e os ingressos, US$ 3,122 bilhões na semana. Nessa conta são registradas as transferências para a compra e venda de ações, títulos de renda fixa, investimentos produtivos e remessas de lucros, entre outras transações.

Na conta comercial – onde são registrados os contratos de câmbio relativos às exportações e importações, o resultado líquido foi negativo em US$ 96 milhões porque as importações somaram US$ 1,846 bilhão e superaram as exportações de US$ 1,749 bilhões. No acumulado do ano até o dia 4 de junho, o fluxo cambial ainda está no azul, com saldo líquido positivo de US$ 7,376 bilhões, sendo que US$ 5,471 bilhões entraram pela conta financeira e US$ 1,905 bilhão pelo segmento comercial.

Compras de dólar

As compras diárias de dólar realizadas pelo Banco Central voltaram a aumentar em maio. Dados divulgados hoje mostram que a autoridade monetária adquiriu US$ 4,172 bilhões no mês passado. Na média, as intervenções somaram US$ 198,6 milhões em cada dia útil de maio. O valor é 31,2% superior à média diária observada em abril, quando as compras estavam em US$ 151,4 milhões por dia e 58,1% maior que o número de março, que ficou em US$ 125,7 milhões. O maior ritmo das compras do BC coincide com o aumento das cotações da moeda norte-americana em maio.

Na primeira semana de junho, o ritmo foi ainda mais forte. Na semana mais curta pelo feriado de Corpus Christi, o BC adquiriu US$ 746 milhões no mercado cambial à vista. A média diária desses três dias úteis ficou em US$ 249 milhões. No acumulado do ano até o dia 4 de junho, os leilões diários realizados pelo BC já retiraram US$ 12,893 bilhões do mercado spot da moeda estrangeira.

Bancos

Os bancos aumentaram a posição vendida no mercado cambial em maio. Dados divulgados hoje pelo BC mostram que essa posição passou de US$ 2,983 bilhões em abril para US$ 3,278 bilhões no mês passado. Maio foi o segundo mês seguido em que as instituições financeiras mantiveram posição vendida no câmbio. No jargão do mercado financeiro, estar “vendido” em dólar pode sinalizar crença de que as cotações da moeda cairão no mercado. Ao contrário, estar “comprado” representa expectativa de aumento das cotações da moeda norte-americana.