São Paulo

  – O dólar comercial fechou ontem em alta de 3,78%, cotado a R$ 3,015 na compra e R$ 3,020 na venda. Com esse resultado, o mercado neutralizou o impacto do anúncio do acordo do Brasil com o FMI, que na quinta-feira havia feito a moeda cair 3,48%. A moeda americana encerrou a semana com alta de 0,33%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com baixa de 3,19%, com o Índice Bovespa em 9.985 pontos. O volume financeiro foi de R$ 680,8 milhões.

Por sua vez, o risco-país brasileiro não parou de subir, e já se consolida novamente no patamar dos 2.000 pontos. Às 16h, o indicador medido pelo banco de investimentos JP Morgan tinha 2.019 pontos-base, com alta de 14,78%. A sexta-feira foi de volatilidade e especulação. A queda de três pontos do tucano José Serra na pesquisa Ibope agitou os negócios desde o período da manhã. Além disso, críticas aos termos do empréstimo do FMI e incertezas quanto à política de intervenções do Banco Central também foram motivo de tensão. O BC anunciou à tarde que promoveu nova venda direta de dólares. A disparada do risco reflete a forte onda de venda dos títulos da dívida externa brasileira. O C-Bond, principal deles, recua 8,52%, cotado a 55% do seu valor de face. O Global 40 recua 11,20%, a 48,75% do seu valor. Além da questão eleitoral, o mercado também repercutiu negativamente o fim da ?ração diária? do Banco Central, que agora não mais venderá dólares diariamente às instituições. O temor é de que falte liquidez no mercado em agosto, já que os recursos do FMI só começam a chegar em setembro.

Os grandes vencimentos de títulos públicos cambiais na próxima semana também ajudaram a pressionar as cotações. Cerca de US$ 2,4 bilhões serão resgatados e o mercado ainda não sabe se o Banco Central fará a rolagem total ou parcial desses papéis. O dólar paralelo negociado em São Paulo fechou em alta de 1,03%, cotado a R$ 2,85 na compra e R$ 2,93 na venda.