O diretor secretário da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Buch Pastoriza, atribuiu à forte valorização do dólar e à política de redução dos juros a queda na produção física da indústria do setor, que acumula baixa de 2,62% no primeiro quadrimestre, ante igual período de 2011 pelos dados ajustados.

“Mudanças são positivas para o setor, mas podem ter inicialmente impactado a decisão de investir do empresário e ajudam a explicar esse desempenho em queda”, disse Pastoriza na quarta-feira, referindo-se à possibilidade de o empresário estar esperando a situação se normalizar para retomar produção e investimento.

Para Pastoriza, as medidas tomadas pelo governo, como a desoneração na carga tributária sobre os salários e a redução na taxa de juros para 5,5% ao ano do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) foram importantes para o setor, mas só vão surtir efeito no segundo semestre. “As medidas foram corajosas, principalmente na pressão para que os bancos privados baixassem os juros, mas o primeiro trimestre está perdido”, afirmou. “Para o segundo semestre, a perspectiva é positiva mas vai depender do panorama externo, já que teremos uma eleição na Grécia e medidas econômicas previstas para a Espanha.”

Segundo a Abimaq, o aumento do faturamento de 1,74% pode ter ocorrido justamente pela alta do dólar e a consequente puxada na receita das exportações.

Outro fator para alta pode ser a recomposição de margens das empresas. Dados da Abimaq divulgados mais cedo nesta quarta-feira apontam que a redução no nível de emprego ocorre por três meses seguidos – entre fevereiro e abril – e que desde o pico de outubro, 4.400 postos foram cortados.

O levantamento indica também que, no mês passado, as empresas tinham 15,9 semanas de pedidos em carteira, a menor média desde o início da série, em 2008, o que é mais um sinal da retração na demanda.

A Abimaq voltou a citar ainda a perda da fatia da indústria brasileira no consumo de máquinas e equipamentos. Dados da entidade mostram que 58,4% do consumo do setor é de máquinas importadas, 14,6% é da incorporação de produtos importados nas máquinas nacionais e apenas 27% é nacional. “Há uma desnacionalização progressiva”, disse o executivo.