Economia

Operação Arena mira esquema de lavagem de R$ 1,1 bi em bets ilegais

Imagem mostra uma pilha de moedas com um porquinho cofinho branco ao lado.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo bets ilegais e movimentação de R$ 1,1 bilhão. Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, apontado como operador financeiro da estrutura. A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. As informações são da Gazeta do Povo.

Segundo a Receita Federal, o esquema usava uma rede complexa com instituições de pagamento, empresas nacionais e estrangeiras, operações de câmbio, criptomoedas e contas em paraísos fiscais como Curaçao e Costa Rica. O objetivo era transferir recursos ao exterior e fazê-los retornar ao sistema financeiro com aparência de legalidade.

O dinheiro entrava no sistema por meio de apostadores que faziam depósitos nos sites de apostas. A partir das instituições de pagamento, os recursos eram distribuídos para pagamento de fornecedores, compra de criptomoedas e transferências para empresas do grupo investigado.

Empresas no exterior ocultavam origem dos recursos

Os valores eram convertidos em moeda estrangeira e enviados para contas mantidas fora do Brasil. A investigação identificou que empresas constituídas no exterior eram usadas para justificar as transferências, mas não possuíam atividade econômica compatível com os valores movimentados. Essas estruturas funcionavam como camada intermediária para esconder a origem do dinheiro.

Depois de passar por essas empresas, os recursos chegavam aos beneficiários finais das bets, que os utilizavam para comprar bens de luxo, pagar outorgas e incorporar valores ao patrimônio. A Receita Federal afirmou que o grupo empregou mecanismos sofisticados para dificultar a identificação da origem e destinação dos recursos.

Esquema operava antes da regulamentação das apostas

A investigação aponta que as operações começaram antes da regulamentação oficial do mercado de apostas de quota fixa, que passou a exigir autorização federal a partir de 1º de janeiro de 2025. A Receita identificou indícios de omissão de rendimentos, evasão de divisas e uso de empresas para reduzir impostos irregularmente.

Inicialmente, a Receita Federal divulgou que as operações ilegais teriam começado em 2012 e somado mais de R$ 2 bilhões movimentados. A informação foi posteriormente omitida da divulgação oficial. A Gazeta do Povo pediu explicações à Receita Federal e aguarda retorno.

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