O petróleo fechou ontem abaixo de US$ 40 em Nova York pela primeira vez desde 10 de maio. A baixa do petróleo acontece mesmo com as incertezas em relação ao futuro da produção mundial dos países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Os representantes dos países membros da Opep estão divididos quanto à possibilidade de aumento da produção mundial do produto.

O ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, que havia proposto nesta semana um aumento de 6% (cerca de 1,4 milhão) sobre a atual produção – fixada pela Opep em abril em 23,5 milhões de barris por dia -, aumentou a proposta ontem para mais de dois milhões de barris.

A proposta, porém, conta com forte oposição da Venezuela, que descartou apoiar, no encontro informal de hoje entre os membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a proposta saudita.

O barril do petróleo do tipo light sweet crude para entrega em julho (referência na Bolsa Mercantil de Nova York), fechou cotado a US$ 39,88, com baixa de 2,54%. O barril do petróleo tipo Brent, para entrega em julho (negociado no International Petroleum Exchange) fechou cotado a US$ 37,30 em Londres.

Encontro

A organização vai realizar um encontro informal hoje em Amsterdã para considerar a proposta da Arábia Saudita, principal produtor do cartel. Os ministros dos países membros da Opep procuraram ontem reduzir as expectativas de uma diminuição rápida nos temores quanto aos altos preços do petróleo, que ameaçam a recuperação econômica mundial.

O ministro venezuelano de Energia e Minas, Rafael Ramírez, disse que os atuais níveis dos preços do petróleo no mercado “não têm nada a ver com o nível de produção”. “Temos petróleo suficiente no mercado, mas há novos fatores políticos no Oriente Médio que estão fazendo os preços subirem”, disse.

A próxima reunião formal do cartel será em Beirute, no dia 3 de junho.

Pressão

A organização vem recebendo pressão dos países consumidores para começar a produzir utilizando sua capacidade ociosa. O Reino Unido irá pedir aos países membros da Opep que aumentem a produção para reduzir os altos preços do barril, disse na quarta-feira o ministro das Finanças britânico, Gordon Brown.

“É crucial para a estabilidade e prosperidade da economia mundial que a Opep aja agora para alcançar um preço mais sustentável”, disse Brown.

“Certamente é um grande risco. Ninguém vence quando o desenvolvimento da economia é colocado em risco”, disse o ministro alemão da Economia, Wolfgang Clement.

“Sem gordura para queimar”

O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, afirmou em Nova York discordar de “algumas análises” que defendem que a empresa “construiu um colchão” no ano passado, ao não reduzir os preços internos após baixa no mercado internacional, e que agora teria “gordura para queimar”. Segundo essas análises, o “colchão” permitiria que os preços do mercado brasileiro de derivados de petróleo não acompanhassem agora os internacionais, caso eles permaneçam num “novo patamar”, acima de US$ 40 o barril.

Segundo Dutra, “a Petrobras pretende continuar com sua política de preços, coerente com um regime de mercado aberto”, emendando que, após “40 anos de controle de preços”, há “uma certa inércia cultural no País, que tem dificuldade de considerar o petróleo uma commodity como qualquer outra”. As adaptações às flutuações internacionais, declarou, valem “tanto para cima quanto para baixo”.

Ele reafirmou, no entanto, que a empresa só fará modificações nos preços internos se considerar que a atual alta do preço do petróleo deve perdurar e “o preço acima de US$ 40 se consolidar como um novo patamar internacional”.

“Em relação ao diesel, à gasolina e ao GLP (gás de cozinha) temos procurado, ao longo do ano, manter uma aderência do preço do mercado internacional ao preço do Brasil. O que não significa que nós repassemos para o consumidor no Brasil, automaticamente, a mesma volatilidade que tem os produtos no mercado internacional”, afirmou.