O Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha cairá 1% em 2012 e 0,4% em 2013, segundo estimativa do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), que alertou nesta quinta-feira sobre a difícil conjuntura do país frente ao alto índice de desemprego e a situação de seus bancos.

“A situação da Espanha é complicada. Previmos uma queda de 1% da economia espanhola em 2012 e achamos que ficará em recessão no próximo ano”, disse à Agência Efe o diretor da Divisão de Análise e Política de Desenvolvimento do DESA, Rob Vos.

O especialista, que apresentou o relatório revisado da ONU sobre a “Situação e Perspectivas da Economia Mundial em 2012”, explicou que o “principal problema” da Espanha para voltar a crescer é “o alto nível de desemprego e a frágil situação dos bancos espanhóis”.

“Tudo isso representa uma grande preocupação”, ressaltou Vos, que defendeu que “será muito difícil” que a Espanha saia dessa situação “só com medidas de austeridade”, em um momento no qual “se vê que a austeridade fiscal nos últimos dois anos tem impactos negativos”.

O especialista da ONU disse que, apesar dessas medidas, “o desemprego na Europa continua crescendo, e não somente na Espanha”. Ele reconheceu que a situação dos bancos espanhóis contribui para a crise, mas declarou que a solução para o país “não passa somente por um resgate para os bancos por parte da União Europeia (UE), mas tem que vir em forma de um pacote que ataque diretamente a situação de desemprego”.

Para atingir esse objetivo, Vos afirmou ainda que é necessário “um conjunto de medidas em escala europeia e, melhor ainda, do G20” para coordenar “um estímulo líquido estimulado pelos países com maior espaço fiscal que possa ajudar os que estão carentes de recursos fiscais”.

“É preciso um novo plano de resgate para a Europa, senão será muito difícil sair desta situação”, ressaltou o autor-chefe do relatório “Situação e Perspectivas da Economia Mundial em 2012”, apresentado hoje na ONU e no qual é revisado para baixo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial para este ano.

O relatório expressa seu temor de que a Espanha caia em um círculo vicioso de “austeridade e recessão” que encareça seus custos de financiamento e traga mais “turbulências” aos mercados, e que levaria o país a precisar de um resgate, que “deixaria insuficientes fundos para a Itália”.