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Produção paranaense atualmente não consegue atender nem 15% da necessidade do mercado estadual.

O Paraná, que no início da década de 1990 respondia por mais da metade da produção nacional de algodão, hoje não consegue atender nem 15% da necessidade do mercado estadual. Do total de 700 mil hectares voltados à cultura, restam apenas sete mil hectares, que na última safra, resultaram em uma produção de 17 mil toneladas de algodão em caroço.

A abertura da economia, com o algodão brasileiro competindo com produto importado com taxas e prazos inferiores ao praticados no Brasil, bem como o ataque de pragas, foram os principais fatores que contribuíram para o cenário atual.

Mas uma alternativa de plantio de forma adensado surge como uma luz no final do túnel para se resgatar a cotonicultura no Estado. Os seis anos de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) estão sendo testados no campo, e mostram resultados promissores para a cultura. Entre as vantagens do plantio do algodão adensado estão o baixo custo – onde só com insumos a redução pode chegar a R$ 500 por hectare -, e menor risco para o agricultor, já que o número de plantas por área é maior com um ciclo menor de produção.

A produtividade também aumenta e pode chegar a 40% a mais do que no sistema convencional. Isso porque, em função do espaçamento, a população de plantas sobe de 100 mil para 250 mil por hectares. O líder do Programa Algodão do Iapar, Wilson Paes de Almeida – que assina os trabalhos com o também pesquisador Ruy Seiji Yamaoka afirma que o sistema adensado traz outros diferenciais, como o aproveitamento melhor do solo -como as plantas fecham mais rapidamente, preservam melhor a unidade do solo, diminuindo a evaporação. Também, por ser uma cultura de ciclo mais curto, a pressão de pragas é menor.

Entre vantagens do plantio do algodão adensado estão o baixo custo por hectare  e menor risco para agricultor.

Mas um dos grandes diferenciais desse sistema é a colheita mecânica, cujo equipamento custa cerca de 15% do valor de uma colhedeira convencional. Produzida na Argentina, onde o algodão adensado representa 80% da cotonicultura, a máquina chega ao Brasil com preço médio de R$ 75 mil. O diretor da Multi Cotton empresa que comercializa o equipamento Nelson Sillas de Souza comenta que a colhedeira pode ser adaptada a um trator, e tem capacidade para colher de seis a oito hectares por dia.

Sistema exige controle contínuo

Apesar de todas as vantagens que o sistema adensado apresenta, ele ainda é considerado experimental. Wilson Paes de Almeida garante que o modelo exige cultivares específicas, que apesar de existirem no mercado, ainda não possuem grande escala. Almeida ressaltou que o Iapar possui quatro variedades de algodão, no entanto, para o adensado, deverá lançar uma opção para as próximas safras.

O pesquisador frisou ainda que nesse sistema o manejo precisa ser redobrado, e o agricultor necessitará de orientação.

?Não basta trocar o modelo, é necessário um técnico acompanhando pelo menos uma vez por semana?, ponderou. Além disso, ele destacou que as usinas de beneficiamento de algodão precisariam de uma adaptação para processar o produto, pois o algodão colhido nesse sistema tem um teor de impurezas maior, e haverá necessidade de ampliar a seleção. Para o presidente da Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), Almir Montecelli isso não deve ser um limitante do sistema, pois acredita que se houver demanda, as usinas irão fazer investimentos. O algodão adensado foi testado em propriedades em Goioerê, Palotina, Assai e Umuarama. Montecelli também concorda que as pesquisas precisam avançar.

?A tecnologia é muito interessante, e pode atender a pequenos e grandes produtores?, disse, acrescentando que será muito importante nesse processo o envolvimento de órgãos estaduais.

O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Maurício Lunardon afirmou que o órgão está elaborando um relatório sobre o sistema.

Ele adiantou que as perspectivas são bastante positivas, e citou que outra vantagem que o sistema possibilita é a rotação de culturas. ?Esse sistema também encurta o ciclo e permite que se plante milho safrinha na seqüência, cuja cultura necessitará de uma adubação menor, pois usará o efeito residual do algodão?, disse. No entanto, ele acrescentou que é preciso acompanhar por mais umas quatro safras o comportamento da cultura antes de iniciar em grande escala. (RO)

Outros estados também testam o adensado

Do total de 1,09 milhão de hectares de algodão cultivado no Brasil na safra de 2007/08, apenas 5 mil hectares foram com algodão adensado. Além do Paraná, existem experimentos na Bahia, Minas Gerais e Goiás.

O consultor agropecuário José Roberto de Menezes que acompanha a cultura na Bahia afirma que os resultados iniciais apontam uma opção de cultivo bem interessante para regiões com baixa produtividade ou que sofrem com riscos climáticos.

O Paraná, que se encaixa nesses perfis, tem uma produtividade média de 2,5 mil quilos por hectares, contra 4 mil hectares do Mato Grosso, hoje o maior estado produtor.

O agricultor de Assai, no norte do Paraná, Caio Koguishi plantou o algodão adensado em uma área de 3,5 hectares, e apesar de ainda não estar totalmente convencido da eficiência do sistema, deve ampliar a área para a próxima safra. Ele comentou que esperava uma produtividade maior.

No entanto, considerou positivo a otimização do equipamento na colheita, bem como, a alternativa de rotação de cultura, garantindo que irá introduzir o algodão às culturas
de café, trigo, soja e milho. (RO)

Luz no fim do túnel

As vantagens do plantio do algodão adensado: – baixo custo, onde só a redução  com insumos pode chegar a R$ 500 por hectare.

– menor risco para o agricultor, já que o número de plantas por área é maior com um ciclo menor de produção.

– produtividade aumenta e pode chegar a 40% a mais do que no sistema convencional.

– aproveitamento melhor do solo: como as plantas fecham mais rapidamente, preservam melhor a umidade do solo, diminuindo a evaporação.

– a pressão de pragas é menor, já que se trata de uma cultura de ciclo mais curto.

Fonte: Instituto Agronômico do Paraná (Iapar)