7.297 vagas foram abertas pelo setor
de alimentos e bebidas em abril.

O Paraná registrou em abril a geração de 22.450 empregos no mercado de trabalho formal, com aumento de 1,38% em relação a março – índice superior à média nacional de 0,79%. Foi o melhor desempenho do mês, tanto em variação como em número absoluto, desde 1990. No acumulado do ano (janeiro a março), houve crescimento de 3,62%, com a criação de 57.373 empregos. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged/Ministério do Trabalho) e foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos no Paraná (Dieese-PR).

A maior parte dos empregos gerados em abril aconteceu no interior (83%), contra 17% da Região Metropolitana de Curitiba. O aumento do emprego foi sustentado pela indústria de transformação, agricultura e serviços, que juntos geraram 20.222 empregos no mês – 90,1% do total. Os subsetores que puxaram o crescimento foram produtos alimentares e bebidas (7.297 vagas), agricultura e silvicutura (5.271), comércio varejista (1.868), madeira e mobiliário (1.307) e hotéis e restaurantes (1.058).

Com o resultado de abril, o número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Estado é de aproximadamente 1,641 milhão. Já a taxa de desemprego estimada pelo Dieese na Região Metropolitana de Curitiba é de 15%, o que corresponde a aproximadamente 200 mil desempregados.

No acumulado do ano, período em que foram criados 57.373 empregos, o bom desempenho foi influenciado também pelo interior, que respondeu por quase 77% das vagas criadas – ou seja, 44.043 empregos. As outras 23% das vagas – 13.330 postos de trabalho – aconteceram na Região Metropolitana de Curitiba. No trimestre, tiveram destaque a indústria de alimentos, com 10.857 novas vagas; agricultura e silvicutura (7.149), comércio varejista (7.110), madeira e mobiliário (4.243), hotéis e restaurantes (4.049), entre outros.

De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese-PR, o índice de abril ficou acima do esperado. “Além do bom desempenho da agroindústria e das exportações, houve melhora da conjuntura do mercado interno”, afirmou Silva. Para maio, a expectativa é que índice seja próximo do registrado em abril ou um pouco maior. “Maio apresenta, historicamente, um dos melhores desempenhos no Paraná”, diz.

Desempenho industrial

O Dieese-PR divulgou ontem também o desempenho industrial do Paraná no primeiro trimestre. No ano, segundo dados do Caged, foram criados 14.246 empregos na indústria, sendo 53% deles na agroindústria. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve crescimento de 60% de vagas criadas. “É uma ótima performance, mas um patamar inferior ao alcançado no Brasil, que foi de 204%”, explicou o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro. Segundo ele, o crescimento industrial nacional se deve a outros setores – que não incluem agroindústria -, entre os quais o Paraná não tem grande participação. “O Brasil deu um salto extraordinário, sobretudo com a produção de bens de capital e bens duráveis”, afirmou.

No trimestre, a produção industrial também registrou aumento, de 9,32%. As vendas reais tiveram variação de 3,50%, enquanto as compras reais, queda de 5,20%. Apesar do aumento na produção, o consumo de energia caiu 1,15% no período. Para Cordeiro, a questão tecnológica e o fato de os subsetores que apresentaram os melhores desempenhos consumirem menos energia elétrica podem ter pesado no resultado.

Salário pode ajudar no crescimento

Depois de mais de um ano em queda, a massa salarial (soma de todos os rendimentos dos ocupados no mercado de trabalho) pode ter registrado sua primeira recuperação, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em abril. A estimativa é do Ipea, que divulgou ontem o 23.º Boletim do Mercado de Trabalho. Em março, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro caiu 2,4% e a massa salarial recuou apenas 0,55%, graças ao aumento da ocupação, de 341 mil postos de trabalho frente a março de 2003, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (PME), que investiga dados das seis maiores regiões metropolitanas do País.

Luiz Eduardo Parreiras, técnico do Ipea, explica que até meados do ano passado, a renda real teve forte queda devido ao aumento da inflação. No fim de 2003, quando os índices de preços começaram a recuar (no dado acumulado em 12 meses), os rendimentos nominais tiveram queda. Só este ano é que o aumento da renda nominal foi combinado com uma queda na inflação, reduzindo as perdas nos ganhos reais. Com a previsão de uma expansão na ocupação, a tendência é de recuperação na massa salarial:

“Isso é muito importante porque, até aqui, o crescimento da economia tem sido puxado pelas exportações. A depressão dos salários e dos rendimentos tem sido uma trava para que o mercado consumidor interno possa contribuir para esse processo de crescimento”, explica Parreiras.

Vagas

Segundo Parreiras, nos últimos meses a criação de vagas tem respondido muito rapidamente a qualquer melhora na atividade econômica. Mas, como há um estoque de desempregados muito grande no mercado e a recuperação da economia incentiva a busca por vagas pelos desalentados, a taxa de desemprego ainda está em alta. E, na avaliação do Ipea, só deve começar a recuar no segundo semestre.

Entretanto, Parreiras lembra que a ocupação – número de vagas criadas pelo mercado de trabalho – cresceu 1,6% no primeiro trimestre.

“A impressão é de que as empresas estão com o quadro de funcionários no osso. Qualquer estímulo na atividade econômica exige contratação. Não dá para aumentar a produção com mais hora extra. O fundamental é que já saímos do fundo do poço. Entramos na fase ascendente do mercado de trabalho”, estima o técnico.