O Governo do Estado e a Volkswagen-Audi estudam o aumento do número de empregos e a transferência de tecnologia para indústrias paranaenses com a produção do modelo de automóvel nominado provisoriamente como Projeto Tupi. O assessor especial de Governo Daniel Godoy conversou com Thomas Schmall, gerente da montadora, e com Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, nesta terça-feira (08).

Atualmente, a proporção de peças e componentes dos automóveis produzidos no Paraná e que fazem parte do produto final da Volkswagen-Audi, unidade Curitiba, gira em torno de 6%. É o chamado índice de paranização e é esse fator que o Governo pretende aumentar, com o objetivo de dar mais sustentabilidade às empresas paranaenses. “Estudamos uma forma de o Estado se inserir nesse projeto com vistas ao crescimento do número de empregos e da economia do Paraná”, comentou Godoy. A produção do novo modelo de automóvel está prevista para este ano.

A Volkswagen-Audi já está instalada há cerca de cinco anos, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). “Todas as peças compradas de fornecedores locais respondem aos nossos padrões de qualidade e fidelidade”, atestou Schmall. Segundo ele, a redução nos custos de logística, que seriam conseguidos com o desenvolvimento da tecnologia de indústrias paranaenses, é um dos fatores para a montadora intensificar sua atuação no Estado. “Queremos ter novos fornecedores próximos a essa unidade”, completou, referindo-se à montadora paranaense.

A intenção do Governo é estar atento à “cadeia produtiva” Audi-Renault, para que as montadores gerem desenvolvimento ao Estado. “Estamos ouvindo também os sindicatos para estudar a transferência de tecnologia às nossas empresas”, disse Godoy, reforçando que um dos objetivos é aumentar a paranização dos veículos produzidos pelas multinacionais. “Trabalhamos para garantir o respeito aos trabalhadores”, registrou o presidente do sindicato.

Também participaram da reunião Mauri Mendes, assessor especial da Secretaria de Indústria e Comércio, Cláudio Gramm, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, e José Maurício Buckeridge, gerente de Relações Trabalhistas e Comunicações da Volkswagen-Audi.

Metalúrgicos aprovam greve

Os trabalhadores das montadoras paranaenses (Volkswagen/Audi, Renault/Nissan e Volvo) e do PIC (Parque de Fornecedores da Volkswagen/Audi) prometem paralisar a produção a partir de sexta-feira, caso as negociações salariais com as direções das empresas não evoluam. O indicativo de greve foi aprovado nas assembléias realizadas ontem na porta das fábricas, que segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba reuniram cerca de 11 mil empregados (7,5 mil metalúrgicos mais terceirizados e pessoal administrativo).

Para a Volks, Volvo e PIC, o sindicato encaminhou cartas avisando a intenção da paralisação dentro de 48 horas, prazo mínimo previsto em lei para a greve não ser declarada ilegal. Nas três empresas, uma nova assembléia ocorre na sexta-feira. Na Renault, por causa de um acordo existente com o sindicato, o prazo para aviso de greve é de 72 horas, por isso a definição sobre a paralisação sairá somente na segunda-feira.

Os metalúrgicos reivindicam antecipação salarial de 13,06%, referente à inflação acumulada de setembro de 2002 a fevereiro deste ano. Não houve acordo nas reuniões realizadas com as direções das montadoras. “Se não tiver proposta, não vemos outra alternativa senão parar, para ver se assim eles negociam”, afirma o presidente do sindicato, Sérgio Butka.