O novo programa de auxílio que está sendo preparado pelo governo federal só beneficiará parte dos Estados, se a reforma da Previdência for aprovada. De acordo com fontes da equipe econômica, o ajuste fiscal que será exigido em troca será “muito duro” e, para alguns Estados em situação mais crítica, só será alcançado com as mudanças nas regras previdenciárias.

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Com os governadores reclamando que os Estados estão à beira de um “colapso social”, o governo federal prepara um programa que poderá beneficiar até 11 unidades da federação a um custo de, no máximo, R$ 10 bilhões por ano – abaixo dos R$ 24 bilhões gastos nos últimos dois anos para socorrer o Rio de Janeiro. A ideia é dar o aval da União a empréstimos com bancos públicos e privados e, em troca, os Estados terão que aprovar medidas para melhorar as contas, cortando despesas e aumentando receitas.

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Para muitos Estados, no entanto, um ajuste suficiente para aderir ao programa só seria possível com mudanças previstas na reforma da Previdência, como a possibilidade de aumentar a alíquota de contribuição previdenciária do funcionalismo e o aumento da idade mínima para a aposentadoria de professores e policiais, que chega a tomar dois terços da folha de pagamento.

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A equipe econômica trabalha para que o projeto esteja pronto em cerca de um mês e tramite concomitantemente com a reforma da Previdência, o que servirá como “moeda de troca” para que os governo consiga o apoio dos governadores.

Porém, o novo programa já enfrenta resistências antes mesmo de ser criado. Governadores e secretários de fazenda ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) reclamam que não terão alívio imediato de caixa, o que não atende muitos Estados que estão sem dinheiro até para pagar salários. “Não é um programa que vai liberar recurso em um mês ou dois. Isso seria inconstitucional”, admite uma fonte da área econômica.

O governador do Espírito Santo, Renato Casa Grande, defendeu a flexibilização no pagamento de dívidas. “Hoje, tem um desencontro entre interesses dos Estados e os do governo federal. Os Estados estão precisando de dinheiro líquido agora e a União não tem proposta”, afirmou.

O secretário de Fazenda de Roraima, Marcos Jorge, também pede que o governo reduza as exigências para ajudar os Estados. Ele defende uma carência de três anos no pagamento de dívidas garantidas pela União e alongamento desses compromissos. “Se não houver flexibilidade, os Estados terão muita dificuldade para retomar a economia e manter até mesmo as atividades essenciais”, completa.

Programa

A intenção do governo é que as adesões ao novo programa comecem neste ano e durem até o fim do próximo. O auxílio atenderá Estados que, pela avaliação do órgão, têm hoje baixa capacidade de pagamento de financiamentos (nota C ou D), o que abrange Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Norte, que decretaram calamidade financeira, e também Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Santa Catarina, Tocantins e Sergipe.

Ficam de fora os “superendividados” Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que teriam a opção de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que prevê a suspensão do pagamento da dívida por três anos em troca de medidas como privatização de estatais.

Nota

Pela regra atual, a União só pode dar garantia a empréstimos para Estados que têm capacidade de pagamento, ou seja, nota A ou B. Com o novo programa, serão dadas garantias para que Estados com nota C ou D contratem financiamentos com bancos públicos, privados ou organismos internacionais, desde que eles aprovem nas Assembleias Legislativas medidas de ajustes que garantam que a nota chegue a pelo menos B até 2022, quando termina o mandato dos atuais governadores.

Para isso, teriam que adotar medidas como vedação de reajuste salarial e de contratação de novos servidores. Os valores dos empréstimos que forem autorizados corresponderão a uma parte da economia que os Estados tiverem com essas medidas, como antecipou o Broadcast em fevereiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.