O nível de emprego formal no Paraná cresceu 0,72% em julho. Foi a quinta maior variação mensal no ranking dos estados, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Dos 10.570 novos postos de trabalho, 74% foram gerados no interior do Estado. O número estimado de trabalhadores com carteira assinada passou para 1,462 milhão.

No acumulado do primeiro semestre, foram criados 59.254 empregos no Paraná -com crescimento de 4,22%. De julho de 2001 a junho de 2002, houve expansão de 3,71%, representando a abertura de 54.297 vagas. Em junho, o incremento do nível de emprego com carteira foi sustentado por agropecuária (3.726 empregos criados), comércio (2.337) e serviços (2.267). “Apesar do aumento do emprego, a taxa de desemprego continua subindo”, enfatiza o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). O Dieese estima que o total de desempregados no Paraná passe de 600 mil pessoas. Cordeiro cita que tanto os indicadores do Dieese quanto os do IBGE apontam elevação do desemprego. No primeiro semestre de 2002, a taxa média de desemprego do Dieese foi de 19,3% e a do IBGE, 7,29%. Esses números são, respectivamente, 12% e 16% maiores que os do mesmo período de 2001.

Na avaliação de Cordeiro, o País tem condições de retomar o otimismo em relação ao quarto trimestre. “Com o acordo do FMI, a expectativa é trazer mais tranqüilidade para o mercado financeiro, repicando na economia real. Os juros devem cair, possibilitando recuperação do crédito”, avalia. Porém mesmo com previsões favoráveis para a economia brasileira, o Paraná deve diminuir o saldo de empregos gerados até o final do ano devido à sazonalidade.

Agricultura

De abril a agosto, os índices são influenciados pela agricultura, que realiza muitas contratações temporárias na época da safra, eliminando grande parte dos empregos nos últimos meses do ano.

Levantamento da Fetaep (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná) indica a existência de 420 mil assalariados rurais, entre empregados com carteira e sem, temporários e efetivos. O setor sucroalcooleiro, por exemplo, emprega 65 mil trabalhadores rurais somente para o corte da cana, de abril a outubro. Quando a safra termina, porém, metade deles faz bico ou fica desempregada, informa o presidente da Fetaep, Ademir Mueller. Embora o setor agrícola gere uma quantidade grande de vagas, os salários são baixos. Nesse ano, o piso da maioria dos sindicatos rurais é de R$ 236.

Salários

Dados do Ministério da Previdência e Assistência Social revelam que a remuneração média do trabalhador paranaense caiu 5,45% no primeiro quadrimestre. A renda média passou de R$ 675,44 em dezembro de 2001 para R$ 652,48 em abril – a sexta maior média do País.