Genebra (AE) – Sem suficiente orientação política dos principais países, as negociações agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC) voltam ao impasse generalizado. Nos últimos três dias, negociadores de todo o mundo estiveram reunidos em Genebra para tentar fazer avançar o diálogo sobre como deve ocorrer a liberalização do setor. Mas o presidente da negociação, Tim Groser, chegou a alertar que não terá como produzir um rascunho do acordo até final de julho se a situação for mantida como está. As esperanças de um avanço ficam para a reunião ministerial da OMC na China na semana que vem.
Pela programação estabelecida pela OMC, dezembro ocorreria a aprovação de um entendimento sobre o ritmo dos cortes das tarifas e dos subsídios agrícolas. Para que isso ocorra, porém, um primeiro rascunho do documento deveria ser produzido até o final do mês. Mas com posições divergentes em todos os assuntos, o rascunho pode não sair ou ser algo completamente diferente do que estava sendo esperado.
No que se refere às fórmulas para a redução de tarifas de importação de produtos agrícolas, Brasil e Argentina se mostraram frustrados com o comportamento dos países ricos. O Itamaraty afirmou que as posições adotadas por europeus e americanos impediam qualquer avanço nos debates. Segundo o governo, o rascunho do acordo não poderá ser produzido se não houver uma convergência no debate sobre as fórmulas relativas às tarifas. A própria rodada da OMC, portanto, poderia estar ameaçada.
A Europa admitiu que estaria disposta a rever seus subsídios à exportação se outros países ricos, principalmente os americanos, avaliassem sua situação no que se refere aos subsídios domésticos. Mesmo assim, nenhum das duas superpotências comercial deram qualquer sinal de que estão prontas para apresentar flexibilidades.
Para um diplomata brasileiro, o processo na OMC se tornou um ?debate teológico? e estaria cada vez mais claro que os únicos que querem negociar um acordo seria o G-20, bloco formado por Brasil, China e outros países emergentes.
A OMC agora deposita suas esperanças na reunião entre cerca de 30 ministros em Dalian, na China, a partir da semana que vem. Espera-se que as altas autoridades possam dar exatamente essa orientação política que Groser tanto aguarda. Ele ainda pediu o ?envolvimento político? dos ministros para garantir algum resultado.
G-8
Enquanto os países não conseguem se entender em Genebra, o Grupo de Cairns, bloco de economias exportadoras de produtos agrícolas, entre elas o Brasil, envia uma declaração aos governos do G-8 pedindo que mostrem ?seriedade? sobre o tratamento dado ao combate à pobreza por meio da promoção de reformas no comércio agrícola. Cairns ainda pede que os subsídios à exportação sejam eliminados e que haja maior acesso ao mercado.


