Otimismo

Natal dos paranaenses promete ser gordo

Apesar da primeira parcela do 13.º salário já ter sido paga para os trabalhadores que recebem os salários em dia, o comércio ainda não teve a oportunidade de receber uma porcentagem significativa desses valores.

A maioria das pessoas, de acordo com especialistas, costuma usar a primeira parte do beneficio para pagar dívidas, principalmente. Mesmo assim, as previsões para os comerciantes dão conta de um Natal mais gordo que o do ano passado, que ocorreu durante a pior parte da crise mundial.

Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a agência classificadora de risco de crédito Austin Rating elaborou um prognóstico com três cenários pessimista, básico e otimista para as vendas do varejo paranaense no Natal deste ano.

E, em geral, concluiu que o volume de vendas do varejo deverá, ao menos no cenário básico, ser 5,5% melhor que em 2008. Mesmo assim, a agência não descarta cenários mais pessimistas ou otimistas: na pior das hipóteses, o prognóstico leva a uma queda de 7,1%. Na melhor, o crescimento é de 19% (veja no quadro).

De acordo com o economista-chefe da agência, Alex Agostini, a expectativa para o Natal não é, ainda, de um clima muito vigoroso. Mas a base de comparação com um período fraco, como foi dezembro do ano passado, torna a previsão de melhora um tanto fácil.

“Em 2008, a preocupação com o futuro retraiu o consumo, abalou a confiança do consumidor, que ficou mais conservador”, analisa. Para outro economista, Vamberto Santana, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), as perspectivas para este Natal também são melhores que no ano passado: a expectativa dele é de um crescimento de 12% a 13%, em média, nas vendas.

Ele concorda com Agostini ao comentar que a base de comparação (Natal de 2008) é fraca, mas aponta que, mesmo assim, o desempenho atual da economia é favorável, com a presença de fatores de estímulo ao consumo, uma inflação estabilizada em torno de 4%, uma taxa de juros menor e um ambiente de otimismo em relação a 2010.

Santana aponta que segmentos como o de vestuário e calçados, eletroeletrônicos, de informática, linha branca e alimentação, que já costumam vender mais no Natal, devem ser os mais favorecidos.

As lojas de departamento e os super e hipermercados, por concentrarem em um só local a maioria desses produtos, devem ser, para ele, os estabelecimentos mais procurados.

Já setores como o de combustíveis, autopeças e as farmácias, por exemplo, nos quais a época pouco influi nas vendas, são apontados por Santana no grupo dos que devem ficar estáveis. “O desempenho dessas atividades não é influenciado pelo Natal”, explica.

De acordo com Santana, o pagamento da primeira parcela do 13.º salário ainda não refletiu no comércio, já que maioria das pessoas usa o valor recebido para liquidar dívidas antigas, adquiridas durante o ano.

“A segunda parcela [do 13.º] vem entre os dias 20 e 22 de dezembro. Aí sim é que ocorre o pico nas vendas”, analisa, sem descartar a possibilidade de muitas pessoas estarem antecipando as compras e pagando com cartão de crédito, para evitar o tumulto dos últimos dias antes do Natal.

Promoções são uma atração à parte

Nem só a confiança do consumidor no futuro da economia parece ter aumentado. O exemplo das promoções da maioria dos shopping centers de Curitiba ilustra que a confiança do comerciante em boas vendas também está alta.

Os tradicionais carros, importados ou nacionais, são lugar comum em quase todos os estabelecimentos. A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), previu, por exemplo, que os 695 shoppings ativos do Brasil devam gastar, no total, cerca de R$ 400 milhões em ambientação e marketing para o período 10% a mais que o investido em 2008.

A mesma associação divulgou outra previsão, que refletiu bem o cenário. O prognóstico para o varejo dentro dos shoppings é, segundo a associação, de que o volume de vendas neste Natal seja 7% maior que no ano passa,do, que, mesmo em meio à crise, já teve um crescimento real de 3,5%.

Uma sondagem da Associação Comercial do Paraná (ACP), feita pelo Serviço de Atendimento ao Cliente da entidade junto aos comerciantes que fizeram consultas à instituição nas últimas semanas, revelou uma expectativa de vendas 10% a 20% melhores que no Natal do ano passado. Entre os motivos, nem só os indicadores positivos, mas também a série de acordos coletivos efetuados durante o ano, que garantiram a boa parte dos trabalhadores aumentos acima da inflação.

A sondagem da ACP detectou que o otimismo maior é para as vendas de produtos importados e brinquedos. Os comerciantes que trabalham com esses itens esperam vender de 30% a 35% mais que no Natal de 2008.

Nos calçados, a expectativa é de 10% a 15% de aumento nas vendas, mesma margem que os lojistas de shopping centers esperam obter. Nas confecções, a média ficou em 15%.

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