Enfraquecido, o governo da presidente Dilma Rousseff não conseguirá fazer um ajuste fiscal para valer e “é possível, embora não provável”, que a economia brasileira entre numa espiral inflacionária, afirmou nesta segunda-feira, 19, o economista Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP/FGV).

“A gente pode eventualmente caminhar para uma situação explosiva”, afirmou Nakano, em palestra durante seminário sobre contas públicas, organizado pela FGV, no Rio. Pessimista em sua fala, o economista ressaltou, por outro lado, que “sempre resta a alternativa brasileira da meia sola”.

Nesse caso, o ajuste seria adiado para o próximo governo, a ser eleito em 2018, explicou Nakano após a palestra. Daí, o ajuste “vai depender de quem assumir”.

Segundo Nakano, a situação explosiva é possível por causa do circuito negativo iniciado com o déficit nas contas do governo: por causa do déficit, o risco do País, percebido por meio das cotações dos contratos de Credit Default Swap (CDS), sobe e, com isso, o dólar fica mais caro, impactando, por sua vez, os preços domésticos e trazendo inflação. A ação do Banco Central (BC), que sobe os juros básicos da economia para conter a inflação, piora o quadro, porque eleva o gasto financeiro do governo e, portanto, aumenta o déficit.

Nakano disse que não vê “vontade para valer” do governo em fazer o ajuste. Segundo ele, a volta da CPMF é um “ajuste ruim” e o superávit primário de 0,7% do PIB para 2016, proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é insuficiente. “Tinha que ser algo mais forte para recompor a confiança”, afirmou Nakano, que citou, na palestra, um corte nas despesas com pessoal como um sinal positivo do governo para a sociedade.