Em meio à crise política e institucional enfrentada pelo governo de Cristina Kirchner, o procurador-geral do Tesouro argentino, Osvaldo Guglielmino, renunciou ao cargo, no fim da noite de ontem. Ele era o homem responsável pelos processos de denúncias que Cristina fez contra o titular do Banco Central, Martín Redrado, e também pela defesa do Fundo do Bicentenário. A decisão foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial. Guglielmino será substituído por Joaquin da Rocha.

O agora ex-procurador está sendo culpado pelos fracassos do governo. A renúncia surpreendeu a imprensa local e os políticos, porque ocorre em pleno conflito pela tentativa do Executivo de usar as reservas para pagar dívida, o que provocou a exoneração, por decreto, de Redrado.

Guglielmino alegou “motivos pessoais”. Porém, fontes oficiais explicaram que a mudança se deve a uma estratégia da Casa Rosada em meio à batalha que trava com o Judiciário. Desde que a crise começou, nos primeiros dias de janeiro, o governo sofreu vários reveses em dois decretos polêmicos: o que cria o Fundo do Bicentenário com recursos das reservas para pagar dívida em 2010 e o que exonera Redrado por não cumprir a medida anterior.

A derrota foi tamanha que Cristina teve de recuar e enviar a exoneração de Redrado ao Congresso, para que a comissão bicameral especial dê o seu parecer, como determinam as normas da autoridade monetária.

A decisão de renunciar ao cargo foi tomada logo depois de prestar depoimento à comissão parlamentar, onde Redrado também prestou declarações ontem, no início da noite. As reuniões da comissão são secretas, mas assessores de Redrado explicaram que ele fez uma longa apresentação técnica, para mostrar as razões que o impediram de cumprir a ordem presidencial de transferir US$ 6,6 bilhões ao Tesouro. Redrado voltará hoje à comissão para concluir seus argumentos. Os parlamentares poderiam emitir também hoje o parecer sobre a exoneração de Redrado.