Foto: Aliocha Maurício
Foto: Aliocha Mauricio

E vem mais pedágio por ai.

Quem precisa trafegar pela BR-116, sentido São Paulo (na Régis Bittencourt) e pela BR-476, acesso de Curitiba ao Sul do País, já deve ter se estressado bastante por conta das péssimas condições da estrada. Sem falar nos riscos que buracos, pista estreita, sinalização deficiente, mato na beira da rodovia e pontes mal conservadas trazem. Porém, nos últimos meses, estes mesmos motoristas já devem ter notado algumas mudanças nestes locais. A reportagem de O Estado percorreu as estradas e notou mudanças positivas, pois a rodovia está melhor sinalizada (tanto verticalmente como horizontalmente), não está tão esburacada e a visibilidade está boa por conta da roçada da vegetação que invadia a estrada. Tudo isso precede a instalação de pedágios, que começarão a ser cobrados em setembro deste ano.

A BR-376, entre Curitiba e Palhoça (Santa Catarina) também será pedagiada a partir desta data. Quem vai operar esse pedágio é a empresa espanhola OHL, que atua não só no Brasil, mas também na Espanha, no Chile no México e na Argentina. A OHL Brasil e o Governo Federal assinaram os contratos de concessão em fevereiro deste ano. Com isso, a empresa passa a deter a concessão não só destes três trechos que passam pelo Paraná, mas também da rodovia Fernão Dias (entre São Paulo e Belo Horizonte) e da BR-101, do Rio ao Espírito Santo. Nos cinco trechos, a empresa informou que vai investir R$ 4,2 bilhões.

Antes da instalação do pedágio, a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) prevê obras iniciais, que incluem recuperação do guarda-corpo de pontes, roçada em toda a extensão da estrada, fresagem (em alguns trechos o asfalto é retirado e colocado outro, novo), sinalização horizontal (pintura de faixas, instalação de tachas refletivas, os populares olhos-de-gato), sinalização vertical (placas), limpeza de canaletas de drenagem (para evitar alagamento na pista em dias de chuva), entre outras melhorias.

Para a operação dos trechos, foram criadas concessionárias responsáveis por cada um deles. O responsável pela concessionária que vai operar o trecho entre Curitiba e o Sul do País, a chamada Autopista Planalto Sul (que passa por Mandirituba, Rio Negro, por exemplo, e vai até a divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul), Arnaldo Silva, diz que as obras iniciais já estão quase prontas, embora o prazo para o término seja o mês de agosto. Durante o último feriado, era possível ver alguns homens na pista trabalhando.

?No trecho entre Curitiba e Rio Negro já fizemos a recuperação de todos os guarda-corpos de pontes e a sinalização horizontal. Já fizemos a fresagem e a colocação de olhos-de-gato em alguns pontos mais críticos, além da limpeza das canaletas. As placas de sinalização começamos a colocar agora. Nos primeiros seis meses vamos repor as danificadas, depois disso melhoramos as outras. As cercas de divisa também iniciamos há pouco?, explicou.

Já entre Curitiba e São Paulo, os trabalhos durante o feriadão ficaram em ritmo mais lento. Mas quem trafega pela BR-116 já consegue notar diferenças, como o mato roçado, que melhora a visibilidade, e o asfalto em boas condições.

Obras de duplicação das rodovias só a partir de 2011

O gerente da Autopista Litoral-Sul (entre Curitiba e Palhoça, em Santa Catarina), Antônio César Fass, diz que as obras iniciais estão bem adiantadas. Ele lembra que alguns trechos estavam tão críticos que não havia nem placas de sinalização. ?São locais onde ocorrem muitos acidentes. Com base nisso estamos fazendo as obras iniciais.

Estamos, na verdade, colocando a rodovia no padrão que ela deveria estar?, disse.

Fass lembra também que muitas obras não são visíveis aos usuários, como o desentupimento de canaletas e a compra de materiais para as praças de pedágio, que só começarão a ser instaladas no mês que vem. Toda a estrutura é pré-moldada, o que faz com que o sistema seja instalado em um mês?, conta.

As tão esperadas duplicações, porém, não saem antes de 2011.

Dos 2078,8 quilômetros concedidos para a OHL (incluindo não só os trechos do Paraná, mas também a Fernão Dias, entre São Paulo e Belo Horizonte, e a BR-101, entre o Rio e o Espírito Santo), 232 serão duplicados. Na Régis Bittencourt, serão duplicados cerca de 30 quilômetros da Serra do Cafezal, entre Curitiba e São Paulo. Já na BR-476 (que vai para o Rio Grande do Sul), duplicações só devem acontecer na região metropolitana de Curitiba. As duplicações de 46 quilômetros devem acontecer nos primeiros dois anos de concessão.

Outros 185 quilômetros (destes, 35 no Paraná) serão duplicados do terceiro ao 25.º ano de concessão.

Outras melhorias, como faixas adicionais, readequação de trevos, construções de passarelas, etc, só começam depois da instalação do pedágio. As faixas adicionais, por exemplo, começam a ser colocadas em 95 quilômetros nos primeiros dois anos de concessão. Do terceiro ao 25o ano, as faixas serão colocadas em outros 175 quilômetros. Já a construção de trevos e de contornos serão feitos até o quarto ano da concessão. (MA)