Moody’s sinaliza melhora do “rating” do Brasil

A agência de classificação de risco Moody’s deu indicativos, ontem, que poderá melhorar a nota de avaliação ("rating") da dívida em moeda estrangeira do Brasil no curto prazo. A perspectiva ("out-look") adotada pela agência para os títulos do País foi elevada ontem de "estável" para "positiva". Em comunicado, a Moody’s citou a melhora dos indicadores que medem a vulnerabilidade da economia brasileira às crises externas.

Um deles é a redução da parcela da dívida atrelada ao dólar – atualmente em torno de 10% – e o esforço fiscal do governo, o chamado "superávit primário" (economia de recursos para pagar juros da dívida). Em setembro do ano passado, a Moody’s havia elevado o "rating" do Brasil, que hoje é "B1" – um nível ainda considerado "especulativo".

Essa nota deixa o Brasil a quatro degraus do "investment grade" (grau de confiança máxima dos mercados), quando um país é melhor avaliado pelos investidores e consegue captar com juros menores.

O que é:

Um "rating" é uma nota que as agências de classificação de risco de crédito atribuem à capacidade de um emissor (um país, um banco ou uma empresa) de honrar o pagamento de uma dívida.

Essa nota serve para que os investidores, como os grandes fundos de investimentos, possam ter uma idéia do grau de risco dos títulos de dívida que estão adquirindo. Atualmente, são três as principais empresas privadas de classificação de risco no mundo: S&P (Standard & Poor’s), FitchRatings e Moody’s. Essas agências ganham dinheiro com a venda de suas avaliações para os investidores.

Essas notas influenciam decisões de investimentos no mundo inteiro, pois servem como uma espécie de "ficha corrida" do país no mercado internacional.

Por ter decretado moratória em sua dívida, o Brasil é ainda classificado em grupo de países de "grau especulativo". Ou seja, os títulos do País são considerados pouco confiáveis, porque o histórico do País inclui decretos de calote.

Mas essas avaliações também são alvo de críticas, pois algumas agências não conseguiram prever crises em países como a Rússia. Há ainda questionamentos sobre a independência dessas empresas na análise dos riscos e na qualidade de seus estudos.

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