São Paulo
– A retração nas vendas de veículos, que em maio caíram 13,4% em relação a igual período do ano passado e ficaram 1,7% abaixo dos resultados de abril, está levando as montadoras a suspenderem temporariamente a produção. Os pátios estão lotados. Os estoques das fábricas e lojas somam quase 180 mil carros, suficientes para mais de um mês e meio de vendas.Além da General Motors (GM), que já havia anunciado férias coletivas de dez dias em São Caetano do Sul (SP), a Fiat confirmou hoje medida similar para parte dos funcionários da fábrica de Betim (MG), e a Peugeot/Citroën vai adotar, pela primeira vez, a semana reduzida de trabalho em Porto Real (RJ).
A partir deste mês, os funcionários da montadora francesa deixam de trabalhar às sextas-feiras, alternativa em vigor também na Volkswagen. A direção da Ford negocia com os trabalhadores uma provável paralisação para as próximas semanas. Na Fiat, as férias vão envolver 500 dos 8 mil funcionários. Eles ficarão em casa por 10 dias neste mês, deixando de fabricar 1,5 mil carros. A Honda também suspenderá a produção de automóveis em Sumaré (SP) entre os dias 9 e 23, e na unidade de motocicletas em Manaus (AM), mas alega tratar-se de ajustes nas linhas de montagem.
Em maio, as montadoras venderam 101,6 mil veículos. O resultado contribuiu para que o setor registrasse o pior desempenho dos últimos 10 anos no período março/abril/maio. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta os altos juros como principal inibidor dos negócios. Sem perspectivas de mudanças no curto prazo, hoje a entidade reviu para baixo sua projeção de vender 1,5 milhão de veículos neste ano. A previsão agora é de 1,4 milhão de carros, volume 5% menor que o de 2002.
“O mercado interno está reprimido e o consumidor bastante retraído”, afirmou o presidente da Anfavea, Ricardo Carvalho. As vendas financiadas respondem por 70% dos negócios. “O consumidor está preocupado e inseguro e a tendência é esperar”, disse o diretor da Ford, Rogélio Golfarb.
Mesmo com a queda nas vendas, a produção de veículos cresceu 10,3% em maio, sustentada pelas exportações. No acumulado do ano, as vendas externas somam US$ 1,928 bilhão, valor 33% maior que o registrado nos primeiros 5 meses de 2002.
Para Carvalho, o resultado favorável das exportações não é suficiente. “Se não tivermos um bom desempenho no mercado interno, a exportação por si só não é capaz de sustentar a escala de produção.”


