Quinze marcas chinesas de veículos operam no Brasil e três delas já produzem carros em fábricas que pertenceram a montadoras tradicionais. BYD, GWM e Caoa Chery assumiram estruturas industriais prontas para acelerar a fabricação local e reduzir custos de importação. Outras marcas, como Geely e Leapmotor, firmaram parcerias para usar instalações existentes. As informações são da Gazeta do Povo.

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A estratégia permite que as empresas encurtem em anos o caminho até a produção em escala. Enquanto uma fábrica nova leva de três a cinco anos para começar a operar, aproveitar uma estrutura pronta oferece galpões, licenças ambientais, logística e mão de obra especializada já disponíveis. A GWM assumiu a fábrica de Iracemápolis (SP), que era da Mercedes-Benz, e produz modelos como Haval H6 e a picape Poer P30. A BYD ocupa o complexo de Camaçari (BA), antiga unidade da Ford, desde 2025.

Ingridhe de Moraes Magalhães, professora de economia da PUC-PR, explica que o modelo reduz riscos. Em vez de investir bilhões antes de conhecer a resposta do consumidor brasileiro, as fabricantes montam veículos a partir de kits importados e aumentam a produção local conforme as vendas crescem. O ritmo de investimento se ajusta à demanda real.

Incentivos fiscais favorecem o crescimento das chinesas

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O programa federal Mover (Mobilidade Verde e Inovação) prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028. Cada real investido em pesquisa e desenvolvimento gera créditos entre R$ 0,50 e R$ 3,20 para abatimento de tributos federais, contra R$ 0,12 no programa anterior. O Mover também oferece IPI diferenciado para veículos sustentáveis e redução do imposto de importação para autopeças sem similar nacional.

A elevação gradual do imposto de importação para veículos eletrificados até 35% aumenta o custo de quem depende de carros importados e favorece quem produz no país. A política tarifária funciona como incentivo à fabricação local.

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Marcas precisam se adaptar ao mercado brasileiro

A produção local será decisiva para a permanência das montadoras chinesas no Brasil. Com o imposto de importação chegando a 35%, depender de carros importados reduz margens e limita a competição por preço. A nacionalização passa a ser fundamental para a sustentabilidade das operações.

A transição da montagem de veículos semidesmontados (SKD) para uma produção completa, com estamparia, soldagem, pintura e fabricação de componentes no país, indica o compromisso das fabricantes. A BYD prevê concluir essa transição em 2027. A GWM já desenvolve versões flex e híbridas flex para atender o mercado nacional, que usa amplamente o etanol.

O rápido aumento do número de fabricantes chinesas tende a provocar disputa dentro do próprio grupo. As dez maiores concentram 84% das vendas. Ingridhe afirma que não haverá espaço para todas crescerem simultaneamente. Empresas com maior capacidade financeira, redes de distribuição estruturadas e bom pós-venda tendem a ganhar espaço, enquanto outras poderão deixar o mercado ou ser absorvidas.

Levantamento de dados do Google Trends dos últimos 12 meses mostra que a BYD concentra 78% do interesse do consumidor brasileiro em buscas sobre montadoras chinesas. A GWM aparece em segundo lugar com 15,6%, seguida por JAECOO (2,6%), CAOA Chery (2,6%) e Leapmotor (1,3%). A reportagem faz parte de parceria com o Google, que apoia projetos baseados em dados do Google Trends, com apuração de responsabilidade exclusiva da Gazeta do Povo.