Montadoras ampliaram produção e empregos

As montadoras paranaenses fecharam 2003 com saldo positivo. Foram produzidos 170.967 autoveículos e máquinas agrícolas, 2,93% mais que em 2002, mas 8,7% abaixo do volume de 2001 (187.403 unidades) – ano de maior produção do pólo automotivo do Estado. O nível de emprego subiu 5,11% em relação a 2002, totalizando 7.645 empregos – número inferior ao de dezembro de 2000 (8.176). Apesar dos números positivos do balanço do ano passado, elaborado em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba criticou a precarização da mão-de-obra e dos salários.

“As montadoras do Paraná estão terceirizando bastante, escondendo empregos que são gerados”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka. “Diversificando as formas de contratação, elas vendem para a matriz e para os acionistas a idéia de que conseguem produzir mais com menos gente.” Na Volkswagen/Audi, por exemplo, foi assinado um acordo para qualificação de desempregados, que receberão bolsas de R$ 150 a R$ 180 mais vale-transporte e alimentação. O receio dos sindicalistas é que esse pessoal seja utilizado na linha de produção, “sem receber um salário digno”, diz Butka.

O menor salário na fábrica da Volkswagen/Audi é de R$ 897, enquanto os terceirizados ganham entre R$ 400 e R$ 500. O sindicato já denunciou ao Ministério do Trabalho a existência de terceirizados em funções que a montadora não considera atividade-fim, como a colocação de adesivo para proteção do carro na pintura, que conta com 30 trabalhadores. Os fiscais trabalhistas autuaram a empresa, que recorreu da decisão.

Questões como essa serão tratadas pela recém-criada Comissão de Política e Emprego da Força Sindical do Paraná, que participa, na próxima quinta-feira, às 9h, da reunião do Conselho do Pólo Automotivo do Paraná, integrado por representantes do governo estadual, Sindimetal, Sindipeças, montadoras, Força e CUT. “Queremos o compromisso das montadoras diminuírem as contratações temporárias”, reforça Butka.

Balanço

Na produção, o crescimento não aconteceu em todos os segmentos. O pequeno acréscimo em relação ao total de 2002 foi puxado pelos comerciais leves (82,58%). A Nissan produziu 8.025 unidades (114,34% mais que em 2002), a Volkswagen montou 8.748 Saveiro (82,63%) e a Renault fabricou 1.217 furgões Master (-7,73%). Em automóveis de passageiros e uso misto, queda de 3,77%. O avanço de 22,83% na Renault, que fabricou 57.389 carros, não foi suficiente para conter as retrações de 17,10% na Volkswagen (67.580) e 19,03% na Audi (8.300). A Volvo ampliou em 15,74% a produção de caminhões (5.582), mas reduziu em 22,50% a de ônibus (565). Já a Case New Holland encerrou 2003 com alta de 11,16% na produção de tratores e colheitadeiras (13.561).

A participação do Paraná na produção nacional passou de 9,03%, em 2002, para 9,08%. Já as exportações aumentaram 2,05%, somando 60.341 unidades. De cada 100 veículos fabricados no Paraná, 35 foram vendidos no exterior, mesma proporção de 2002.

Para 2004, as perspectivas são otimistas. “As montadoras trabalham com crescimento de 5 a 10%”, destaca o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese. A Volks/Audi estima produzir 140 mil carros, impulsionada pelas vendas do Fox. Há previsão de reabertura do terceiro turno, que poderia gerar 900 novos empregos. A Renault estuda a fabricação de um modelo para exportação. A programação da Volvo prevê 6.060 caminhões, 800 ônibus e 350 cabines para exportação. A CNH projeta fabricar 10 mil tratores e 3,2 mil colheitadeiras.

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