A enorme concentração no setor de bebidas, em que três companhias dominam mais de 80% do mercado, já provocou o fechamento, em 10 anos, de mais de 600 empresas de menor porte, no País.

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Apesar da fase mais forte de aquisições fusões já ter passado, muitas dessas companhias sobreviventes ainda acham que dá tempo de buscar soluções para o problema, que passam, por exemplo, pela redução de impostos e maiores limitações à concorrência desleal.

Um dos primeiros passos oficiais para isso será dado hoje, em Curitiba, quando empresários do ramo irão se reunir em um simpósio sobre o tema. “Se não houver um basta (nessa situação), as grandes vão ficar cada vez mais fortes”, afirma o presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros.

“Não são só as pequenas empresas que perdem com isso. Os municípios-sede e os consumidores também são prejudicados”, lembra ele, questionando: “Quanto será que iremos pagar por um refrigerante daqui a cinco anos?”.

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No entanto, Barrios reconhece que as ações contra a concentração de mercado estão chegando tarde para muitas empresas que já fecharam ou estão em vias de fechar. Para ele, o desafio do momento é, ao menos por enquanto, manter vivas as fabricantes pequenas.

“A fusão da Brahma com a Antarctica, em 2000, não deveria ter sido aprovada”, lamenta. “Hoje existe uma força contrária, um lobby, muito fortes a favor das grandes”, critica, apresentando estatísticas que mostram que a participação das pequenas no mercado de cervejas caiu de 6% para 1,6%, desde então.

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Para Bairros, que será um dos palestrantes no evento de hoje, mudanças na política tributária do setor são um dos caminhos para que o mercado volte a se equilibrar ou, pelo menos, deixe de caminhar para uma monopolização. “Embora também seja necessária uma regulação de mercado, é preciso mudar a tributação”, diz.

O executivo ressalta que empresas que produzem refrigerantes, cerveja e água mineral não podem, por exemplo, participar do regime Simples de tributação, e isso, em sua opinião, só favorece as gigantes do setor. “Enquanto produtos de uma Ambev arcam com uma carga tributária de 40%, uma cerveja Colônia arca com 60%”, afirma.

Como exemplo do enfraquecimento das marcas menores de bebidas, Bairros cita um levantamento feito pela Afrebras, que descobriu que elas têm apenas 2% a 3% de espaço nas prateleiras de supermercados, em média.

“Com essa menor exposição, o consumidor vai esquecendo as pequenas marcas”, conclui, mencionando marcas como a Cini, cada vez menos presentes nas gôndolas.