A logística adotada para evitar o aumento no custo de produção da soja nesta safra 2004/2005 e preservar a competitividade do agricultor brasileiro é de vigilância total e integrada contra a doença ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Nas estratégias estão envolvidos os governos federal e estadual, empresas agroquímicas, cooperativas agropecuárias, sindicatos rurais, universidades, institutos de pesquisas agronômicas e a participação direta do produtor de soja.

A doença já causou perdas de 4,5 milhões de toneladas, totalizando mais de US$ 2 bilhões de prejuízos aos cofres da nação na safra passada. Nesta safra o risco da doença está presente nos 22,4 milhões de hectares de soja do País, cultivados por 550 mil produtores de grãos que esperam colher 60 milhões de toneladas.

No Paraná, o Governo do Estado, através da Emater, disponibiliza a participação de 300 extensionistas capacitados que, junto com demais parceiros do setor, estarão orientando os produtores para os procedimentos de avaliação da presença da doença nos 4 milhões de hectares cultivados, que pela estimativa do Departamento de Economia Rural da Seab, produzirão nesta safra em torno de 12,4 milhões de toneladas de soja.

O monitoramento, segundo o engenheiro agrônomo Nelson Harger, implementador do Projeto Grãos da Emater, consiste na vistoria técnica semanal da lavoura e intensificada na fase da floração até o enchimento de grãos. Em especial nas condições climáticas de chuvas diárias e temperatura média menor que 28.º, são favoráveis ao aparecimento e à disseminação da doença, provocada pelos ventos.

Lucratividade

"Nesta safra que se inicia, a margem de lucratividade na soja reproduz a média histórica de US$ 10,00 por saca, exigindo do agricultor a racionalidade ao aplicar fungicida na lavoura e, para reduzir ou poupar, a decisão correta é fazer no mínimo de duas a três vistorias semanais, monitorando a doença para ao confirmar os primeiros sintomas da ferrugem, fazer o controle químico, sob recomendação agronômica", recomenda Harger.

O técnico lembra ainda que os técnicos da extensão rural oficial estarão acompanhando a evolução da doença e colocando à disposição dos veículos de comunicação do Paraná, boletins informativos regionais para melhor informar os sojicultores paranaenses.

Os procedimentos de observação a campo pelo agricultor começam pela caminhada na lavoura, parando em diversos pontos da área para a verificação dos primeiros sintomas da doença, através da coleta de folhas velhas do terço médio inferior da planta, "onde elas retêm maior teor de umidade e estão no local mais suscetível para a entrada da ferrugem", afirma o engenheiro agrônomo Alcides Bodnar, da unidade municipal da Emater de Cambé.

Nas orientações que presta aos produtores, recomenda que a folha deve ser colocada contra a luz solar para melhor visualizar as pontuações escuras, ou então que o agricultor conte com o auxilio de lupas de 10 a 20 vezes de aumento. A confirmação da ferrugem se dá quando no verso da folha são constatadas saliências parecidas com pequenas feridas, que são as estruturas de reprodução do próprio fungo.

O sojicultor deve colocar as folhas com suspeita em saco plástico apropriado, levando pessoalmente para confirmação imediata em um dos 11 Centros Diagnósticos de Doenças da Soja, chamados de SOS-Soja, mantidos no Paraná pela Bayer. Para a região Norte, o atendimento está sendo feito no Sindicato Rural de Londrina, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, durante o horário comercial.

Consórcio

O Consórcio Nacional Anti Ferrugem, concebido pelo Ministério da Agricultura, é coordenado pela Embrapa/Soja, que formatou um plano de difusão do conhecimento técnico e das estratégias de validação do monitoramento para as regiões produtoras.

"Fizemos, em parceria com demais organismos oficiais e privados, documentos e materiais de apoio, que já foram encaminhados, dando assim uniformidade nas ações e garantir ao sojicultor a maior abrangência e melhor eficiência da tecnologia de monitoramento", assegura o fitopatologista Rafael Moreira Soares, da Embrapa de Londrina, integrante da equipe para o Paraná. Essa amplitude também se dá graças à entrada de empresas agroquímicas que também estão realizando estratégias complementares.