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José Agnaldo, coordenador da CTB: resistência será grande.

Ontem foi dia de manifestações em Curitiba e região metropolitana em favor da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Metalúrgicos ligados à Força Sindical se mobilizaram em frente à várias empresas como Volskwagen-Audi, Renault, Volvo, Bosch, New Holland, WHB e Brafer e sindicalistas se reuniram para discutir o assunto juntamente com representantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) no Paraná.

Na próxima semana eles prometem mais manifestações pela jornada, cuja proposta está sendo fortalecida com um abaixo assinado que deverá ser utilizado para propor uma Lei de Iniciativa Popular ao governo federal.

Os sindicalistas dizem que a jornada de 40 horas representaria a criação de 130 mil novos empregos no Paraná e 2 milhões em todo o país. Na opinião do presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Paraná (Fetiep), Luiz Gim, na medida em que a tecnologia avança cobra-se cada vez mais incremento na produção, o que coloca o trabalhador em situação vulnerável. ?Hoje temos a chamada produção em série e o trabalhador tem que vencer a máquina, o que gera acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, depressão, e até suicídios?, afirmou. Segundo ele, com as 40 horas o trabalhador poderá atuar com mais eficiência e terá tempo para desenvolver atividades de capacitação. ?Não é simplesmente reduzir a carga horária. Estamos discutindo uma questão social muito mais complexa?, disse.

O coordenador da CTB no Paraná, José Agnaldo Pereira, lembra que muitas empresas do estado já adotam a carga horária inferior a 44 horas (segundo a Força Sindical, cerca de 21 indústrias em Curitiba e região). Para propor a Lei de Iniciativa Popular são necessárias um milhão e 500 assinaturas, mas os sindicalistas estão cientes de que não vai ser fácil aprová-la no Congresso Nacional. ?Sabemos que vamos encontrar resistência grande, pois o Congresso é formado em sua maioria por empresários. Mas todas as centrais dos trabalhadores estão nessa luta, o que a fortalece. Não é uma questão somente de trabalhar menos, a idéia é aumentar o número de empregos e melhorar a saúde do trabalhador?, disse.

Até mesmo categorias que já têm sua carga horária definida, como a dos médicos (cuja jornada, na teoria, é de 20 horas semanais) apoiam as 40 horas. ?Defendemos a redução da jornada porque vemos com o médico que trabalha muito acaba desvalorizando o paciente. Na nossa categoria é preciso melhorar as condições de trabalho?, afirmou Mário Ferrari, presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná.

Na próxima semana, os sindicalistas pretendem colocar um painel na Boca Maldita, em Curitiba, com os votos dos deputados sobre a jornada de 40 horas semanais. Eles também planejam entregar o abaixo assinado ao presidente Lula, em maio. A luta pelas 40 horas ocorre desde o dia 14 de abril, quando aconteceu uma marcha, em Curitiba, como forma de protesto pela jornada. Cerca de 2,5 milhões de trabalhadores do Paraná estão envolvidos na campanha pela mudança na carga horária.