Brasília  – Uma missão brasileira viajou ontem para a China para tentar pôr fim ao impasse provocado pela venda de soja misturada com sementes tratadas com fungicidas. A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. A mistura, proibida no comércio mundial, levou o governo chinês a suspender a compra de grão brasileiro fornecido por quatro empresas: Cargill Agrícola, Noble Grain, Irmãos Trevisan e Bianchini. Só a Cargill responde por 20% a 30% dos embarques de soja brasileira para a China. Os chineses importam de 6 milhões a 7 milhões de toneladas de soja por ano do Brasil.

“Esses técnicos tentarão avançar um pouco mais na negociação antes da minha chegada à China”, afirmou Rodrigues, que integra a comitiva presidencial que estará na China na próxima semana. Um técnico do Ministério da Agricultura e representantes da iniciativa privada integrarão missão que precede a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Itamaraty informou que o recente episódio deverá ser tratado pelas autoridades brasileiras e chinesas durante a visita do presidente a Pequim e Xangai. Na ocasião, ministros brasileiros deverão enfatizar que se tratou de um carregamento isolado e que medidas adequadas já foram tomadas para que a mesma situação não venha a se repetir. Rodrigues disse que está preocupado, pois “a situação está amarrada”, o que resulta em queda nos preços da soja e dificuldades de embarque no Porto de Rio Grande (RS). A missão argumentará, de acordo com Rodrigues, que o governo tem intensificado a fiscalização dos lotes nos portos. “Eles tentarão negociar uma mudança no nível de tolerância para padrões internacionais”, explicou o ministro.

Após reunião com Rodrigues e parlamentares ruralistas, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, disse que o governo vai procurar intensificar a fiscalização para que as exigências do mercado chinês sejam atendidas. Ele descartou que o episódio da mistura prejudique a imagem da soja brasileira no exterior. “A soja brasileira tem uma ampla e antiga tradição de qualidade e de segurança. Uma exceção não pode prejudicar o trabalho dos últimos anos”, disse.

O diretor do Departamento de Ásia e Oceania do Itamaraty embaixador Edmundo Jujita, informou que, por causa de um atraso o acordo bilateral nas áreas fitossanitária e sanitária entre os dois países não chegará a ser assinado durante a visita presidencial. Mas, segundo ele, isso deverá ser feito logo em seguida à visita.