Os ministros das Finanças da União Europeia concordaram hoje que novas regras são necessárias para evitar ciclos de elevação e explosão de bolha nos mercados financeiros, mas rejeitaram o pedido da Alemanha de suspender as exigências de capital para bancos. Os ministros, depois do encontro mensal em Bruxelas, criticaram as regras de capital bancário determinadas pelo Acordo Basileia II. Esse acordo internacional, assinado em 2004, visava assegurar que os bancos possuíssem capital suficiente em reserva para se proteger de riscos.

Os formuladores de política da UE criticaram essa estrutura por ser “pró-cíclica”, afirmando que ela permite que bancos cortem reservas quando a economia se mostra sólida e os força a estocar capital quando os riscos surgem – no momento em que a economia provavelmente já começou a se contrair. Essas provisões de risco exacerbaram a desaceleração econômica, disse o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, aos ministros das Finanças dos 27 países do bloco. Ele fez lobby por uma suspensão temporária das regras da Basileia II para encorajar os bancos avessos ao risco a emprestar mais. Dados recentes do Banco Central Europeu mostram que o empréstimo bancário está diminuindo e os grupos empresariais da UE alertam que os canais de crédito bloqueados permanecem como o principal obstáculo à recuperação econômica.

Mas a maioria dos ministros se opôs à ideia de Steinbrueck, embora tenham concordado que querem que a Comissão Europeia, o braço executivo da UE, estude a questão e apresente um relatório completo até o começo de outubro. Regras contábeis e padrões de remuneração também devem ser revisados, com uma proposta legislativa ampla preparada para o final do segundo semestre.

“Precisamos de um sistema financeiro mais robusto na Europa, com cada vez mais habilidades de construir reservas contra a instabilidade financeira”, disse o ministro sueco Anders Borg, em entrevista coletiva depois do encontro. Borg comandou o encontro, pois a Suécia atualmente ocupa a presidência rotativa da UE. “Peer Steinbrueck justificou fortemente os problemas específicos da Alemanha, mas por outro lado é muito importante que também alcancemos conclusões amplas”, acrescentou Borg.

A coordenação internacional é outra preocupação. Desde o começo da crise financeira, a UE tem pressionado os Estados Unidos e outros países no G-20 (grupo das 20 principais economias do mundo) a definirem regras mais fortes. Os líderes do G-20 pediram em novembro uma revisão internacional das políticas que possa criar condições pró-cíclicas.

A UE provavelmente levantará essas questões novamente no encontro do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia) na Itália, a partir de amanhã. Essas negociações sobre novas regras do mercado financeiro vão continuar no encontro do G-20 em setembro, em Pittsburgh. As informações são da Dow Jones.