O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, relatou nesta terça-feira (19) que um dos principais temas discutidos na terceira reunião da Comissão Interministerial que analisa mudanças na lei do petróleo foi a possibilidade de criação de um fundo soberano, que receberia as receitas geradas pela exploração de petróleo da camada pré-sal.

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Segundo o ministro foram analisados modelos de fundos similares, aplicados em diversos países do mundo produtores de petróleo. “A Noruega, por exemplo, tem uma espécie de fundo de pensão que pega toda a receita de petróleo e aplica no exterior”, afirmou o ministro, lembrando que o resultado dos investimentos no exterior pelo fundo norueguês retorna ao país. Lobão, entretanto deixou claro que o governo ainda não tomou nenhuma decisão sobre qual modelo de fundo poderá ser aplicado no Brasil. “O governo ainda não tem uma decisão. Estamos apenas estudando e temos ainda seis ou oito reuniões para fazer”, disse o ministro.

Ele admitiu que uma possibilidade seria usar o dinheiro do pré-sal, depositado nesse fundo, para a redução do déficit em conta corrente no País. O ministro disse que um eventual fundo que investisse no exterior, aos moldes do norueguês, não significa que seria deixada de lado a proposta já verbalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de investir as receitas do pré-sal em educação. Segundo o ministro, ambas as finalidades podem ser conciliadas, separando-se parte dos recursos que iriam para o fundo para ser aplicada em educação.

Além do fundo soberano também foi discutida na reunião desta terça, no Palácio do Planalto, a questão das áreas do pré-sal que foram licitadas e as que poderão ser leiloadas futuramente. O próprio tamanho da faixa do pré-sal foi objeto de discussão. Segundo Lobão, pode haver um pré-sal “estendido”, ou seja, a área pode ser um pouco maior do que se imagina, passando dos hoje calculados 107 mil quilômetros quadrados para 160 mil quilômetros quadrados.

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10ª rodada

Lobão disse que foi adiada, da próxima sexta-feira (22) uma data em setembro, a ser definida, a reunião do Conselho Nacional de Política Energética, que deve deliberar sobre a realização da 10º rodada de licitações de áreas de exploração de petróleo da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Lobão lembrou que o governo decidiu no ano passado suspender os leilões de blocos que estejam no pré-sal ou nos arredores da camada sedimentar, as chamadas franjas do pré-sal. A 10ª rodada, que pode ser aprovada no próximo mês, só contaria, portanto, com blocos de fora do pré-sal, localizados em terra ou em águas rasas. Segundo Lobão, é possível que a 10ª rodada aconteça ainda neste ano.

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