O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, alertou que o Brasil pode enfrentar dificuldades para pagar aposentadorias no futuro. A declaração foi feita em vídeo publicado em rede social, onde ele criticou o desequilíbrio das contas previdenciárias e os gastos públicos. As informações são da Gazeta do Povo.
Segundo Nardes, o déficit da Previdência supera R$ 404 bilhões, enquanto os gastos fora do orçamento somariam R$ 326 bilhões. O ministro afirmou que esse cenário compromete a capacidade do país de atrair investidores estrangeiros e de financiar benefícios previdenciários.
Dados oficiais do TCU mostram que o déficit previdenciário consolidado foi ainda maior: R$ 418,9 bilhões em 2024 e R$ 440,6 bilhões em 2025. O resultado de 2025 representa a diferença entre R$ 762,6 bilhões arrecadados e R$ 1,203 trilhão em despesas com benefícios, considerando diferentes regimes previdenciários e o sistema de proteção social dos militares.
Investimentos estrangeiros crescem apesar das críticas
Nardes declarou que o país estaria inviabilizando sua capacidade de buscar investidores no exterior. Porém, dados do Banco Central indicam que o Brasil recebeu US$ 46,9 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto no primeiro semestre de 2026, crescimento de 33% em relação ao mesmo período de 2025.
Nos 12 meses encerrados em julho, o montante acumulado chegou a US$ 88,4 bilhões, cerca de 3,5% a 3,6% do PIB, o maior patamar registrado desde 2012.
Ministro compara situação atual às pedaladas fiscais
Na mesma gravação, Nardes comparou a situação atual às pedaladas fiscais do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, investigadas em 2015, quando ele atuou como relator do processo no TCU. O ministro afirmou que houve manipulação nas contas e que a situação voltou a acontecer.
Ele declarou que as pedaladas envolveram recursos da Previdência utilizados sem autorização do Congresso Nacional. A comparação foi apresentada como parte de sua crítica à condução fiscal do país, mas não constitui comprovação de que as mesmas irregularidades tenham ocorrido novamente.
