Economia

Ministro da Fazenda defende que déficit dos Correios não é prejuízo

Dario Durigan
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o déficit de R$ 5,6 bilhões registrado pelos Correios no primeiro semestre de 2026 não pode ser confundido com prejuízo da empresa. A declaração foi feita durante debate sobre economia no canal GloboNews, na noite de terça-feira (1º), com representantes das três principais campanhas presidenciais. As informações são da Gazeta do Povo.

Segundo Durigan, que representa a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o resultado negativo está relacionado aos investimentos feitos pela estatal. “Esse resultado que estamos chamando de déficit não podemos confundir com prejuízo ou lucro da empresa. Se a empresa faz investimento, isso é considerado déficit na contabilidade pública”, explicou. Com o resultado divulgado no sábado (29), a estatal chegou ao 16º trimestre consecutivo com déficit nas contas.

Representante de Bolsonaro critica aportes e defende privatização

A declaração de Durigan provocou reação de Daniela Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Ela defendeu a privatização dos Correios e criticou os aportes feitos pelo governo para manter a estatal. “No governo do presidente Bolsonaro, mandamos um projeto de privatização dos Correios para a Câmara. Depois, foram necessários R$ 5 bilhões, mais R$ 5 bilhões e agora R$ 6 bilhões de aportes. Isso é um tapa na cara do brasileiro”, afirmou.

Para Daniela, a sequência de aportes mostra que a estatal não entrega resultados e acumula dívidas que dificultam uma eventual privatização. “Se eu te entregar os Correios por R$ 1, você leva R$ 9 bilhões em dívidas. Eles não são vendáveis mais”, disse.

Governo atribui problemas ao período no programa de privatização

Durigan reconheceu que os Correios enfrentam problemas, mas atribuiu parte das dificuldades ao período em que a empresa esteve no Programa Nacional de Desestatização (PND). Segundo ele, a inclusão no programa limitou a capacidade de investimento da estatal. “Esse problema começa quando os Correios foram colocados no PND. Isso impedia que a empresa fizesse investimentos. Veio a pandemia, todas as empresas de logística se modernizaram para atender a essa demanda, e os Correios ficaram para trás”, afirmou.

O ministro disse que o governo quer modernizar a estatal e recuperar sua capacidade de operação. “Colocamos R$ 6 bilhões para que os Correios possam se modernizar”, declarou. Durigan também afirmou que a recuperação da empresa não impede o governo de discutir parcerias com o setor privado.

Sobre a taxa das blusinhas, o ministro rejeitou que os Correios tenham exclusividade na entrega de compras internacionais isentas. “Não é posição do governo que, na questão da taxa das blusinhas, tudo fique com os Correios, como era no passado”, afirmou. Roberto Brant, coordenador do plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD), também defendeu a privatização e a redução da estrutura dos Correios no debate.

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