O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, admitiu que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 pode não avançar caso não seja aprovada ainda em 2026. Ele culpou a falta de mobilização de sindicatos e trabalhadores pelo possível travamento do projeto no Congresso Nacional. As informações são da Folha de S.Paulo.
Marinho afirmou que, se a sociedade não pressionar, o projeto fica “dormindo nas gavetas”. Para ele, não é responsabilidade apenas do governo fazer a proposta avançar sem apoio das centrais sindicais e dos trabalhadores organizados.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhou a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça na terça-feira (18). O governo trabalha para votar o texto na primeira semana de setembro, antes das eleições. O Planalto articula para que um senador aliado de Lula assuma a relatoria e evite alterações no texto aprovado na Câmara, o que exigiria nova votação e inviabilizaria a aprovação neste mandato.
Empresários pressionam para incluir compensações no texto do Senado, mas Marinho se opõe. O ministro atribuiu a dificuldade em avançar com pautas trabalhistas ao perfil atual do Congresso Nacional.
Marinho também criticou a meta de inflação de 3% ao ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. Para ele, a meta foi “excessivamente ambiciosa” e obriga o governo a elevar os juros. O ministro já teve divergências com a equipe econômica sobre revisão de gastos em benefícios como o abono salarial.
Segundo Marinho, um eventual quarto mandato de Lula regulamentaria o trabalho por aplicativo, pauta que travou neste governo porque parlamentares não queriam se desgastar com trabalhadores nem com plataformas. Ele afirmou ainda que Lula, se reeleito, manteria o ganho real do salário mínimo acima da inflação oficial.
