Em resposta à revisão para baixo da projeção de crescimento econômico para o País, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse nesta quarta-feira, 10, que o governo brasileiro “dispensa o receituário” da entidade. No documento, o FMI considera “um equívoco” a adoção de novos estímulos à economia.

“O FMI tem todo direito de fazer previsão sobre as economias dos países. Mas dispensamos as sugestões e receituário para medidas adotadas pelo Brasil”, assinalou Gleisi, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A ministra apontou pelo menos três motivos para dispensar as sugestões do Fundo. O primeiro é básico: “não há relação do Brasil com o FMI”. “Aliás, ao contrário. Somos credores do Fundo, nada mais devemos a eles”, acrescentou Gleisi. Todas as vezes que o Brasil aplicou medidas indicadas pelo FMI o País, segundo ela, enfrentou “recessão, desemprego e dor do povo brasileiro”.

Ela reafirmou que o governo da presidente Dilma Rousseff “tem compromisso com a estabilidade fiscal” e assegurou: “Não trabalhamos com política fiscal frouxa. Trabalhamos com política anticíclica. Foi o que fizermos na crise de 2008 e é o que estamos fazendo agora.”

A ministra também reagiu à argumentação do FMI de que o governo, com a inflação acima do teto da meta, deveria abandonar qualquer estímulo monetário adicional. O IPCA acumulado nos 12 meses encerrados em junho está em 6,7%, enquanto a meta inflacionária prevê 4,5%, com tolerância de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo.

“O que se esgotou foi a política que eles apregoam. Uma política que já está e se provou ultrapassada”, reagiu Gleisi. “Aonde estava o FMI na crise de 2008? As agências de rating ameaçaram o Brasil, sendo que um mês antes da crise de 2008 tinham dado uma nota alta para uma instituição financeira que quebrou (Lehman Brothers).” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.