A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse na manhã desta sexta-feira, 09, que os produtores rurais já utilizaram 45% dos R$ 156 bilhões previstos para o Plano Safra 2014/2015. Os recursos devem ser desembolsados até julho deste ano, em meio à sinalização de aperto nas contas pelo Palácio do Planalto para o ano. Ela disse que não espera que o governo reduza o volume de recursos para o Plano Safra 2015/2016, que deve ser anunciado em julho. “Eu não vejo nenhuma ação do governo no setor que mais dá mais retorno e resultado”, disse. “Não vejo sinal de redução de recursos”, afirmou.

Kátia defendeu os ajustes fiscais do governo como necessários para o País, após o governo limitar os gastos com despesas em 33% enquanto o Congresso Nacional não aprovar o Orçamento de 2015, o que ela estimou para ocorrer até março. “Essas medidas fiscais são boas para o Brasil e não há como ser boa para o Brasil e não ser para o agronegócio”, considerou.

Apesar das afirmações positivas enviadas à Fazenda, a ministra mandou um recado aos produtores, afirmando que 2015 será um ano “de observação no mercado, muito mais no mercado do que no Joaquim Levy”, em referência ao ministro da Fazenda, a quem pediu “inteligência” para não retirar dinheiro de um setor no qual “cada real investido tem retorno entre quatro e seis meses”.

A declaração ocorreu pouco depois da ministra indicar que espera um desempenho melhor do setor neste ano. “Acreditamos que o PIB do agronegócio em 2015 será melhor do que 2014”, disse, sem apresentar uma projeção.

Em sua primeira participação da divulgação de balaço de safra de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a ministra destacou o aumento na liberação de crédito rural no País. Segundo ela, o crédito cresceu 14% nos meses de julho a novembro, atingindo R$ 69,6 bilhões. “Os produtores estão tomando e investindo”, disse.

Safra – De acordo com a Conab, a safra de grão atingirá 202 milhões de toneladas no ciclo produtivo 2014/2015. A ministra comemorou o número como uma “previsão para a safra que está sendo superada pela realidade”, com aumento de 4,5% sobre o ciclo 2013/2014. Ela disse que 10% da produção recebeu apoio do governo para comercialização.

A ministra avaliou que o quadro internacional de queda nos preços das commodities, especialmente a soja, ainda não serão sentidos pelos produtores. “Nos últimos 12 meses, apesar da soja ter tido uma desvalorização de 12,5%, isso foi compensado pela valorização do dólar. Uma coisa matou a outra”, observou, dizendo que a situação “fez com que os produtores ficassem numa situação confortável”.

Kátia, contudo, estimou que pode haver aumento nos custos de produção, mas que isto só será sentido na próxima safra porque a atual está “praticamente vendida”, o que não ocorre com o milho, especialmente o grão produzido no Mato Grosso. “Os preços do milho (no mercado externo) inviabilizam as exportações do Mato Grosso, onde os preços estão acima do mínimo do governo, que é de R$ 13,52”, disse.